Por Clara Days:

Palavras-chave: ordem; autoridade; regulação; responsabilidade

Esta semana temos para nos inspirar a energia do Pai regulador, que nos traz a orientação da autoridade e põe em ordem a vida.
O Imperador / Pai é a força complementar da Imperatriz / Mãe: ela redonda, fértil, geradora de vida e protectora instintiva; ele quadrado, racional, actor no mundo social, onde as regras fazem sentido. São dois arquétipos que reflectem a visão tradicional da dicotomia feminino / masculino, representando em conjunto as bases da estrutura pessoal de cada um de nós, individualmente e   socialmente.
O Imperador impõe a sua vontade à natureza, tanto quanto esta lho permite. Cria cidades, defende a lei, organiza e dá estrutura ao quotidiano. Ele é razão e acção dirigida. No entanto, e curiosamente, o Tarot de Osho Zen chama ao Arcano 4 “O Rebelde”, considerado como o homem iluminado que não admite ser escravizado. Nesta acepção, é senhor do próprio destino, no que se aproxima da visão do Tarot tradicional.
O Imperador comanda mas protege: ele é responsável pelas suas decisões, mas também por aqueles que estão sob a sua orientação. Pode resvalar para o autoritarismo, mas é essencialmente a autoridade: respeitado, mais do que temido, pede-nos que aceitemos e cumpramos regras criadas, como é costume dizer-se, “para o nosso bem”. Sem ser complacente, é sobretudo assertivo, não violento ou agressivo. Impõe-se naturalmente, pela convicção e sentido de acção estruturada, sólida e estável.

Nas imagens das cartas revela-se como uma pessoa madura, homem barbado em pose de autoridade, sentado no trono e acompanhado pelos símbolos do seu poder. Esses podem ser os tradicionais da cultura europeia medieval e renascentista – escudo, ceptro, globo, manto, coroa, espada. Mas em versões mais recentes e eclécticas, esses símbolos podem estar referenciados a outras culturas ou correntes filosóficas, e surgem como o raio celeste, a cabeça de veado, a coroa de louros, entre outros. A sua expressão é séria e é mais frequente estar de perfil do que de frente, sendo raro surgirem outras personagens na sua companhia; quando surgem, são seus inferiores – os súbditos, presentes sobretudo em baralhos mais ancestrais, do séc. XV. É recorrente a presença de símbolos heráldicos – a águia, simples ou bicéfala – e também de carneiros, ou da respectiva cabeça como adorno.
Efectivamente, o Imperador é associado pela Astrologia ao signo de Carneiro, o primeiro do ciclo anual do Zodíaco – signo de fogo regido por Marte, deus da guerra e símbolo do masculino.O número 4 fala de estabilidade, firmeza e conservadorismo. A letra hebraica que lhe corresponde é TZADDI ou TZADIK, a fé do Justo. O seu título esotérico: O Chefe entre os Poderosos.

Estamos pois a receber a inspiração duma energia reguladora e assertiva, para pormos ordem na nossa vida e procurarmos a estabilidade. É como se nos seja pedido que paremos com sonhos ou devaneios e tratemos de “arrumar a casa” (em sentido literal ou figurado). Para sermos o Imperador devemos aceitar e cumprir regras e convenções, ainda que apenas por conveniência temporária. É como que uma chamada à razão no sentido de tomarmos decisões ponderadas ou darmos estrutura às decisões já tomadas, arriscando mesmo tomar as rédeas da liderança de algum projecto em curso.
O Imperador falha na criatividade, mas traz estabilidade e vontade. Após a semana anterior, em que o Mago nos pediu uma atitude de abertura transformadora, pede-se que agora criemos um tempo para deixar estabilizar os frutos desse esforço criativo. Deixar decantar as ideias, clarificar situações, impor ordem a algum caos que nos ande a incomodar – eis o que nos sugere este Arcano Maior 4.
Sejamos “quadrados” por um pouco. Ganhemos convicção e assertividade. Depois, quem sabe, voltaremos a querer voar…

Imagem: Tarot Gringonneur ou Charles VI (séc. XV)

Clara Days

 

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