Por Clara Days:

Palavras-chave: sensibilidade; natureza; relação; compaixão.

Sou Mãe de todos vós. Acolho, cuido, nutro, protejo, sem julgar. O meu papel no Mundo é o da que cria e faz crescer, que vive o corpo numa dádiva permanente. Sou Terra. Sou Natureza. Sou Amor.
Em todas as religiões há uma Mãe, porque, para todos os povos, a fecundidade é o maior garante do futuro. É ela que se conecta com as forças da vida e os ciclos da Natureza. A que dá o colo, providencia o sustento e traz ao dia-a-dia a alegria mais simples e genuína. A que põe sempre, acima de tudo, os interesses da sua progenitura: todos diferentes, todos iguais, todos merecedores de amor e compaixão.
Assim, eu cuido do que está vivo. São meus filhos os humanos – e os outros. Ligo-me às ervas e às árvores, protejo as colheitas, guardo os animais. Cuido do planeta, nossa casa comum.
Funciono ao sabor das estações do ano, recebo o frio e o calor, a chuva e o sol, a tudo me acomodo. Mas há sempre um sentido criador nesta aceitação, não um deixar-me levar. Respeito os ciclos naturais para neles fecundar, crescer, florir e frutificar. Sou o garante da sobrevivência.
Represento a essência feminina no seu lado físico e prático, caloroso, procriador. Sem argumentos, sem explicações: sou do “ser” e não do “pensar”.

Esta “Imperatriz” tem outros nomes, nos diferentes baralhos de Tarot. Se a designação primitiva lhe dá uma posição de superioridade social, outras apelam ao seu lado mais humano, primitivo: no Tarot de Osho Zen é a “Criatividade”, outros chamam-lhe “Gaia”, “Madonna”, “Senhora”, “Jardineira”, “Fertilidade”.
Nas imagens, a Imperatriz surge, inicialmente, no trono régio, devidamente “equipada” com os símbolos do seu poder. Frequentemente, mostra-se grávida, e esta é uma característica que se vai mantendo, até hoje. Recentemente, está cada vez mais reportada ao espaço natural: numa seara, no campo, com flores, frutos ou animais ao seu redor. É apresentada como mulher ainda jovem, mas a presença de alguns elementos, como árvores ou água corrente, emprestam-lhe um sentido de maturidade e maior universalidade.
A letra hebraica que corresponde à Imperatriz é DALETH, a porta. O seu número 3 simboliza expressão, comunicação, criação, socialização. O seu título esotérico: “A Filha dos Poderosos Uns”.
Astrologicamente, ela corresponde ao planeta Vénus, muito mais do que “planeta do amor”: Vénus é a beleza, como é o bem-estar; é erotismo, como é afabilidade; é a harmonia e o acordo. Representa a sedução, mas também a arte. É a abertura ao Outro, mais do que tudo.

Esta é uma semana para estar e sentir. Também um tempo de concretização, de onde a ansiedade pode ser arredada.
A inspiração para a criatividade, nestes próximos dias, pede-nos que, dela, se passe à criação. Valerá mais o que fizermos do que o que pensarmos.
Será também um tempo bom para nos ligarmos aos outros, aos amigos,– procurá-los, arranjar maneira de comunicar ou estar com eles. É uma semana para a socialização pacífica e consoladora. Para nos acarinharmos uns aos outros, para dar atenção, escutar e partilhar.
Temos então uma energia inspiradora em dois patamares da nossa existência comum: o da criação e o do afecto. Aproveitemos essa inspiração.
Que cada um de nós seja capaz de sair da sua concha, de procurar e produzir beleza para o dia-a-dia, em companhia.

Imagem : Pintura de Lynnette Shelley, 2010

Clara Days