Energia para a Semana 17-24 Mai -IV O IMPERADOR

Por Clara Days:


Palavras-chave: sociedade; regulação; responsabilidade; estrutura

Tudo o que se passa agora, neste mundo em mutação, é contrário à minha natureza. Sempre funcionei dentro da estrutura e da ordem. Preciso de conhecer as regras para as poder cumprir e, nesse cumprimento, me sentir protegido – e proteger os meus.
Tudo é contrário à minha natureza, mas tenho que me adaptar. Não se pense que é fácil, pois reconheço que nunca primei pela flexibilidade. A situação exige que me encaixe na nova ordem das coisas e aí tente criar uma estrutura, sem saber ainda se será estável, se terá futuro, pois o futuro passou a ser como uma serpente: traçando um rumo ondulante, capaz de se esconder, sei lá… Precisava de saber, mas não sei.
Como arrumar a casa, se as paredes já não estão? Como organizar, se não posso antecipar? Como me defender, e aos meus, de perigos novos, invisíveis e diferentes?
Pedem-me que esteja à altura e terei que estar, porque os que de mim dependem precisam disso. Mas terei que ser capaz de encontrar novos referenciais, para desenhar o quadrado de que preciso, para me encaixar. Quatro lados, quatro ângulos, todos iguais, racionais, funcionais, sem surpresas. Assim devia ser. Assim terei que fazer com que seja. Ou talvez não… Talvez precise de encontrar geometrias mais variáveis, onde possa estabelecer-me.
Pedem-me uma imaginação que não tenho, não navego essas águas movediças. Precisarei de aprender a construir sem regra prévia, sem recorrer à memória, quando tudo é novo e desafiante. Há quem dependa de mim, não posso falhar redondamente.
Não me é difícil a coragem, é-me difícil a insegurança. Nunca tanto me foi pedido, para me governar e cuidar daqueles por quem sou responsável. Mas tenho que estar à altura, tenho que ser capaz. Tenho que me erguer e olhar em volta, para aproveitar o que possa e começar a construir, para poder transmitir segurança – ainda que não a possa, hoje, garantir.
Não me custa tirar da boca para dar aos outros, não me custa dormir ao relento. Não me custa viver tempos difíceis, quando o objectivo é nobre. Na realidade, as dificuldades nunca me assustaram. Mas nunca vivi sem referenciais… Como farei agora, com um objectivo nebuloso? Agora, que já tropecei na vida e sei que posso voltar a tropeçar?
Já reconquistei qualquer coisa, porque estou de pé. Sei o que esperam de mim. Sei que ninguém me substitui, que conto comigo e com a minha vontade, que sou o exemplo.
Preciso de convocar a força interior que sempre me moveu. Preciso de me posicionar de novo, procurar o terreno mais sólido para poder construir novas estruturas. Preciso de mostrar, como sempre mostrei, que regulo, mas protejo; que dito regras, mas cuido; que sou autoridade, mas é porque sou Pai.
Não me autorizo falhar. Não falharei.
Contem comigo!

Imagem : Tarot Della Rocca ou Soprafino, de F. Gumppenberg, 1830

Clara Days

 

 

 

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