Energia para a Semana 27/12/20-03/01/21: QUANDO A SACERDOTISA ENCONTRA O HIEROFANTE

Por Clara Days:

Palavras-chave: Ela: inconsciente; receptividade – Ele: comunhão; conformidade

Ele era o Papa, ela a Papisa, cara e coroa da mesma moeda. São a Sacerdotisa e o Hierofante, verso e reverso da nossa vida espiritual e filosófica, ela abrindo-se para dentro, ele acompanhado pela tradição. Vieram juntos, cada um de seu baralho, para inspirar esta entrada em 2021, a passagem de ano mais sentida por todo o mundo, desde há umas décadas: todos queremos ultrapassar esta crise tão generalizada, gerada por uma pandemia que destruiu tanta certeza e instalou o desassossego e o medo.

O que é a espiritualidade? Como se vive? Para além da religião, onde está? Será que todos a têm? Será que todos a sentem?

A Sacerdotisa mora em cada um de nós, sempre. Pode estar mais ou menos adormecida, ser mais ou menos assumida, mas traz-nos o poder da Lua, a força do inconsciente que dita os nossos sonhos e as razões mais profundas dos nossos comportamentos. Encarna o Princípio Feminino Universal, a receptividade, a mente em calma.

O Hierofante nasceu da necessidade de regular moralmente a vida colectiva. E por muito que o sentido desta palavra “moral” se tenha abastardado, é apenas referente às regras do bem viver em comum, partindo da tradição e dos costumes. No entanto, esta regulação tem aqui um significado profundo e a carta representa o Princípio da Transcendência Espiritual. Nessa medida, o Hierofante pode morar em cada um de nós, no nosso desejo de aprofundar conhecimento no foro mais filosófico ou mesmo transcendental.

Enquanto que ela opera internamente, subconscientemente, ele surge motivado de fora para dentro, almejando subir da consciência à transcendência. Um e outro nos inspiram agora, que os alicerces de todos os valores foram abalados e somos convocados a reflectir sobre como nos podemos reorientar, que princípios precisamos de recuperar ou revisitar, que novos princípios podem nascer destes tempos conturbados.

Vêm juntos, inspirar este momento simbólico do calendário, nesta passagem, apelar a que procuremos equilibrar a paz interior com a exaltação dos valores humanistas universais, a recuperação duma ética individual e colectiva que inspire novos modos de estar, de amar, de nos respeitarmos uns aos outros. Há aqui um eco da tão falada Era de Aquário, em cuja alvorada nos situamos.

Estaremos à altura? Importa que o estejamos individualmente, aconteça o que acontecer. Importa que cada um exalte em si o poder da espiritualidade, para superar, para progredir, para se elevar. Dentro e fora, de si para consigo e de si para com os outros, a natureza, o Universo.

Que o ano de 2021 nos traga paz interior e nos dê a possibilidade de nos melhorarmos perante o nosso semelhante e perante tudo o que nos rodeia. Cada um pode fazer a sua parte, de todas as partes juntas poderá nascer um Todo.

Assim seja.

Imagem : Tarot Rörig, de Carl-W Rörig, 2004

Clara Days

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