O cinema, ondas de ilusão, filtros de realidade, o sonho em ecrã, o mundo virtual, um fluxo intemporal de sensações provocadas pelas imagens projectadas na tela, apanhadas pela retina e captadas pela mente…. o cinema tem um planeta regente e esse é, naturalmente Neptuno. Neptuno é a Água de todas as memórias e fantasias e a Luz que cria a imagem e permite a transcendência do real, do escuro da sala de cinema para a visão de outras realidades.

Tudo começou com um sonho e a inovação tecnológica. Chamavam-se Lumière – Luz – e inventaram a câmara que permitiu a acção cinematográfica. A 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien do Grand Café em Paris, os irmãos Lumiére apresentaram publicamente, em estreia mundial, dez curtas metragens que não ultrapassavam 50 segundos cada. Tinha nascido o cinema. Plutão estava conjunto a Neptuno em Gémeos, no movimento lento de transformação profunda da consciência colectiva, no fechar do ciclo aberto na última vez em que se tinham encontrado no século XV do Renascimento e Descobertas. Agora, de novo conjuntos, inauguravam no final do século XIX e início do século XX uma nova era em que a psique colectiva se abria às consequências das invenções e descobertas com que renascemos na nossa relação com o mundo através do telefone, do cinema, do automóvel, aviação, e outros, ilustrações perfeitas do movimento e comunicação simbolizado por Gémeos onde ocorreu a combinação do impacto dos dois planetas mais lentos do sistema solar. Enquanto Neptuno esteve em Gémeos, desenvolveram-se projectores, películas, técnicas e empresas como os estúdios de Edison e o Pathé, multiplicou-se o número de actores e o cinema institucionalizou-se como indústria de comunicação.

Em 1920 Neptuno entrou em Leão, e logo apareceu quem personificasse a representação simbólica do signo. Charlie Chaplin estreia-se como actor, ilustrando a criatividade e entretenimento centrada numa só pessoa, atributos do Leão. O culto das estrelas americanas como Charlot, Gloria Swanson, Rudolfo Valentino teve, na URSS, espelho no culto de realizadores como Eisenstein. Durante os anos da I Grande Guerra, entre 1914 e 1918, não pode haver grande crescimento da indústria na Europa e Hollywood estabeleceu-se como centro fulcral. Até 1929 Neptuno esteve em Leão, primeiro em filmes mudos e, depois de 1925, com Júpiter em Capricórnio, em filmes falados.

Neptuno entrou em Virgem e Júpiter em Gémeos em 1930 o que deu o mote mercuriano à expansão do cinema americano, no que ficou a ser conhecida como a Era de Ouro. Em vésperas da II Grande Guerra, o cinema europeu estava orientado para o serviço da propaganda mas em Hollywood os serviços da indústria cresceram para fornecer guarda roupas, luzes, cenários, etc criando empregos dos mais básicos aos que captavam os holofotes, com Neptuno em trígono a Saturno em Aquário.

Plutão entrou em Leão em 1940. Abriu o caminho para a II Grande Guerra com Neptuno em Balança a partir de 1942 e até 1955. Plutão estreou o “film noir” com Rebecca de Alfred Hitchcok e a sua imensa obra ao longo da década e também Citizen Cane, de 1941, de Orson Wells é representativo do espírito do tempo e do cosmos. Quando a guerra terminou dá-se o renascimento do filme europeu com Júpiter a entrar em Balança e a fazer conjunção a Neptuno e Saturno em Caranguejo a forçar a reconstrução europeia e a estimular o surgimento do neo-realismo italiano com a estreia de Roma Cidade Aberta de Rossellini. De 1945 a 1940, o cinema americano, sob a censura do McCartismo, passa para segundo plano não permitindo senão belos épicos com mensagens de equilíbrio e justiça de vida como Os Dez Mandamentos de Cecil B. de Mille , Ben Hur de Wyler ou Duelo ao Sol de Selznik. É, de facto o ressurgimento europeu que sobressai da conjunção de Saturno e Plutão em Leão enquanto Neptuno transita a Balança. E não podemos esquecer o pico de popularidade dos filmes de animação, todos com laivos de moralidade dos Loonie Tunes e Walt Disney, como Bugs Bunny, Mighty Mouse, Tom and Jerry, Popeye etc..

No início dos anos 50, com Saturno e Neptuno em Balança, o cinema sente o peso da concorrência da televisão que chega a cada vez mais casas e apresenta filmes de custos de produção mais baixos do que os do cinema para audiências maiores. Entra em cena o cinema japonês com Akira Kurosawa e o filme Rashomon que transforma globalmente as regras de estrutura da narrativa e que não podia ilustrar melhor Neptuno em Balança e Júpiter acabado de entrar em Peixes- pela primeira vez no cinema, um drama psicológico e história de um crime é narrado pelos diferentes ângulos de quem o presenciou denunciando a subjectividade da relação pessoal em relação ao objecto de observação.

De 1955 a 1970 Neptuno esteve em Escorpião e o glamour e intensidade sexual explodiu com James Dean e Marilyn Monroe, e e ainda com Brigitte Bardot, Claudia Cardinale, Sophia Loren, e Marlon Brando, entre os de maior renome. Entre rebeldes e finais trágicos e a liberdade e fantasia sexual dos gloriosos anos 60, Neptuno em Escorpião trouxe novo incremento e poder ao cinema indiano e asiático em geral. No início dos anos 60, com Plutão em Virgem assim como Urano, os serviços e facilidades de Hollywood começam a ser substituídos por estúdios noutros países como a Cine Citta em Roma, Pinewood em Inglaterra, filmagens em Espanha e o aparecimento do cinema europeu com a Nouvelle Vague francesa, o cinema africano com Sembene e o Terceiro Cinema, com marca politica de Costa Gravas, Sollanas e Guettino.

Neptuno em Sagitário de 1970 a 1984 traduziu-se no cinema na verdade de cada director, na afirmação daqueles que tinham uma ideia muito própria do que o cinema devia representar. É a grande fase do cinema de autor, os realizadores estão na linha da frente e os exemplos são imensos: Martin Scorcese, Coppola, George Lucas, Woody Allen, Spielberg são alguns dos mais conhecidos nomes de Hollywood que neste período transformaram o cinema, assim como Wim Wenders, Herzog e Fassbinder no novo cinema alemão. É toda uma nova estética que se revela com Plutão em Balança, assim como o nascimento dos blockbusters, filmes de elevados custos mas sucesso global que transformam a engenharia financeira da produção.

A recessão de meados dos anos 80 pôs fim a uma era de blockbusters que já não atraiam audiências para grandes aventuras, gangsters ou fantasias. Neptuno entrou em Capricórnio em 1985 e lá ficou até 1998 marcando uma nova era estrutural no cinema em que a ambição estética de filmes se envolveu na realidade social e se abriram as portas do cinema a actores negros, em particular nos EUA . Foi também o período de nostalgia de outras eras com filmes como os de James Ivory, Room with a View, ou Jane Campion com o Piano mas a inovação está em David Lynch em Blue Velvet , Kielovsky ou Sothebers com Sex Lies and Viedotapes , Tarantito e Pulp Fiction e o arranque dos irmãos Cohen com a sua critíca e olhar negro sobre a sociedade, em particular a partir de 1995 quando Plutão entra em Sagitário.

Agradar a todos, cinema para todos os gostos foi o que representou o período de Neptuno em Aquário, de 1999 até 2012. O cinena americano depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001 virou-se cada vez mais para temas de actualidade com o surgimento dos documentários de Michael Moore como Bowling for Columbine. Os tabus são quebrados com Urano em Peixes por Lars von Tiers em Anti-Cristo e a fantasia global volta a reinar como o Senhor dos Anéis e Harry Potter. O cinema abrange tudo, seja histórias imaginárias, seja teses celebrais, seja retratos sociais e psicológicos. Não só todos os temas e abordagens estão na ordem do dia como, por via do Aquário e do trânsito de Urano em Peixes, o cinema digitaliza-se de tal forma que todos temos acesso aos filmes não só no cinema e televisão mas também nos ecras dos nossos computadores. É essa a grande revolução do cinema com Neptuno em Aquário, a da acessibilidade e globalidade.

E agora que agora que Neptuno entrou em Peixes onde vai ficar até 2025? A revolução tecnológica é a fantasia cinematográfica como realidade em 3 D a ficar cada vez mais aperfeiçoada e quanto a temas… esperamos temas piscianos, histórias de heróis marítimos e animais marinhos, amor e compaixão, sonhos de um mundo melhor….o “Amour” de dois idosos e a “Vida de Pi”, vencedores de Oscares em 2013 são já exemplos dessa  sensibilidade neptuniana que continuou este ano de 2014 com o primeiro filme de sempre sobre a abolição da escravatura , na época mesmo em que o cinema nasceu….

Uma versão anterior deste artigo foi publicada na revista “Aspas” da Associação Portuguesa de Astrologia 

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