Por Clara Days:
Ideias-chave: tradição e ilusão; âncora moral e sonho; entre a regra e a sombra.
Entramos em Agosto com a Lua Cheia e com o peso da tradição, que caracteriza o Hierofante, a voltar a fazer-se sentir. Desta vez, está acompanhado pela luz assombrada da Lua, que pode acordar fantasmas e revelar medos.
O Hierofante tem vindo a aparecer recorrentemente, desde Maio, nestas minhas leituras semanais. A intervalos mais ou menos certos, de duas ou três semanas, tem apelado ao nosso sentido de pertença, prendendo-nos ao que nos une aos que consideramos “nossos”: uma cultura, uma religião, uma ideologia. Ele é guardião da moral, detentor da chave dos segredos mais sagrados, que protege e a partir dos quais nos orienta e guia. Isto quer dizer que há um sistema de regras e ditames a que temos de nos acomodar, para podermos pertencer ao grupo que nos acolhe. Aceitarmos ou não esses constrangimentos é uma equação que fazemos por escolha própria, pois eles são o preço da pertença: se queremos sentir segurança e ter a protecção daquele colectivo, cumprimos, e se não cumprirmos, seremos excluídos.
O Hierofante representa, pois, a relação que tenho com as ideias que identificam um grupo social, que me pode ser imposta pela educação ou a que adiro voluntariamente.
Mas há também, agora, a Lua. Ela ecoa os meus medos e anseios mais reprimidos, aqueles que me aparecem em sonhos e que muitas vezes escondem traumas antigos, que prefiro não recordar conscientemente. A Lua ilumina aquilo que eu preferia não ver, não lembrar, não reconhecer. Vindo neste contexto, em que pontifica o Hierofante, é como se seja com a energia da Lua que eu encontro as razões pelas quais é ou não importante para mim aceitar e cumprir o que prega o Hierofante.
Teremos então dias de medos ou anseios a aflorar, justificando que me acolha junto da minha comunidade. Sob a protecção dos meus, talvez que me sinta forte o suficiente para enfrentar a minha sombra, o meu lado triste e deprimido. Prestarei atenção aos sonhos, reveladores do que realmente me preocupa ou faz sofrer – o luar suave da rainha da noite pode ajudar-me a entender e pacificar tudo isso. E, claro, estarei protegido, se me ajeitar às regras do Hierofante.
NOTA: O Hierofante, antes chamado Papa, no Tarot tradicional, vem na semana em que Francisco, sumo pontífice católico, visita o meu país, para as Jornadas Mundiais da Juventude. Francisco é um homem do Bem – assim ele saiba dirigir aqueles que o recebem para o bom caminho.
Imagem : Patch Tarot, de Spirit Studios, 2020

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