Por Clara Days:
Ideias-chave: regenerar para equilibrar; objectividade e mudança profunda; a razão na renovação.
Será que é desta que as coisas mudam? Parece haver condições para isso, mas é preciso manter a cabeça no lugar e estar disposto a largar muita coisa, na renovação possível. Troquemos por miúdos:
A companhia da Justiça / Ajustamento é um apelo à racionalidade. Pesar prós e contras, procurar um equilíbrio entre o possível e o desejável, avaliar as causas e consequências é um exercício mental que nos permite ajustar as expectativas à realidade das circunstâncias que se nos vão apresentando. Exige um esforço de imparcialidade e a capacidade de avaliar uma situação sem deixar que os sentimentos pessoais interfiram de modo a distorcer a percepção do que se passa – isto é, pede algum distanciamento e muita ponderação.
Já a Morte surge sempre como um Arcano radical, que nos obriga a resoluções que vão fundo: queremos mudar, mas para isso é preciso renunciar a algo que já não faça sentido, largando pesos “mortos” para assumir novos compromissos, num processo que não é simples ou indolor. Geralmente, a não ser que as circunstâncias da vida nos provoquem uma mudança radical, há um desfasamento temporal entre o momento em que, intimamente, já compreendemos que não há futuro para uma dada situação, e aquele em que tomamos a atitude de romper com ela. A energia da Morte inspira esse processo, indispensável para uma transformação das nossas circunstâncias.
Estamos, pois, em maré de transformação, e podemos usar as energias combinadas destes dois Arcanos Maiores para a fazer com razoabilidade e coragem. Há possibilidade de regenerar, de renovar a fundo, mas é preciso ponderar bem o que largamos e o que deixamos ficar, sem perder de vista o que almejamos alcançar.
Num processo de ajustamento há sempre compromissos a fazer, dir-me-ão: aqui, a Morte pede um preço ser mais elevado do que meras concessões de conveniência, pede que abdiquemos radicalmente do que impede o nosso avanço, que matemos o que nos torna objectivamente impossível o progresso, por muito que isso custe – e, geralmente, custa, ou não seria… morte.
É natural que o cenário actual nos obrigue a esforços suplementares na cedência e na ponderação. Não percamos a razão, no meio de alguma turbulência que nos possa agitar. Estarmos preparados para alijar o peso que transportamos é o factor dominante deste processo necessário, saibamos escolher o que deve ser preservado do que precisa de se largar. Preparemos o renascimento…
Uma boa semana para todos nós!
Imagem : Tabula Mundi Tarot, de M.M. Meleen, 2012

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