Por Clara Days:
Ideias-chave: ruptura e emoção; desabar de certezas, reforço da intuição; perante o súbito desastre, procuro resposta em mim
A semana apresenta-se movimentada, com um aparente desastre em vias de acontecer. O efeito combinado das influências da Torre e da Lua não nos promete serenidade, antes traz uma inquietação que devemos tentar fazer jogar a nosso favor. Parece destruição, mas pode ser libertação da prisão onde nos temos encolhido, dos medos que temos querido esconder de nós próprios. Como agir, perante o desabar das nossas fracas certezas?
Quando a Torre vem, é-nos sugerido que podem vir mudanças súbitas e radicais para as nossas circunstâncias, não que o resultado será negativo para a nossa pessoa.
Com efeito, a vida organizada que levamos, as rotinas mecanizadas que criamos, são escudos protectores para a inconstância e a mudança, princípios naturais da existência. A ordem em que vivemos parece ser protectora, até ao ponto em que se torna sufocante – são esses os muros da Torre, em vias de desabar. Dentro deles escondemos inseguranças, medos, a falta de coragem para correr riscos: preferindo o desconforto de estarmos prisioneiros das nossas escolhas à vertigem do desconhecido. Mas a vida impõe-se e vem de súbito um factor externo, poderoso, imparável, que faz desmoronar os nossos muros. É um “salve-se quem puder”, tão assustador quanto libertador. No entanto, sabemo-lo, toda a poeira assentará, e nesse momento tomaremos consciência de estar perante um horizonte mais vasto, com mais soluções, outras saídas, caminhos diferentes que poderemos percorrer.
Por sua vez, a Lua vem ajudar-nos a visitar a sombra, como condição necessária para que possamos encontrar caminho para a nossa própria luz.
Ela refere-se à relação que temos com as manifestações do nosso inconsciente, com os sonhos e os pesadelos, com os medos mais profundos e enraizados – aspectos que tentamos ignorar no dia a dia, que tentamos mascarar ou desvalorizar na maior parte das vezes. As nossas experiências negativas, sobretudo as mais precoces, da infância, deixam na memória cicatrizes fundas em que não queremos tocar, pelo tanto que nos doem. Ir ao seu encontro, na viagem de auto-reconhecimento pedida pela Lua, é mais difícil e doloroso do que se possa pensar, mas é um passo necessário na viagem de construção do nosso ser completo, pacificado, equilibrado. Ao pedir uma visita à nossa sombra, ela pede que sejamos capazes de a aquietar e iluminar.
Torre e Lua são Arcanos Maiores difíceis e desafiantes no modo como nos convocam a mudar a nossa vida. Trazem descontinuidade e desconforto, para de facto nos encaminharem em direcções diferentes e mais consentâneas com a nossa autenticidade. Desconstroem as nossas certezas e confrontam os nossos medos, como caminho para nos libertar de uma opressão que era sobretudo auto-imposta, uma zona de “conforto” que se escudava em falsas certezas, feita do medo que nos tolhia. Tudo isso vai cair, como um castelo de cartas, e dar-nos a oportunidade de ver mais longe, de ser mais verdadeiros e escolher melhores rumos.
Uma boa semana para todos nós!
Imagem : Cosmic Tarot, de Norbert Losche, 1986

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