Por Clara Days:
Ideias-chave: desapego e auto-preservação; sigo em frente, cuido de mim e dos outros; forças da vida em movimento.
Continua a Imperatriz a chamar-nos à vida e ao cuidado que precisamos de ter com ela, enquanto o Carro vem, depois de muitas semanas de ausência, empurrar-nos para o desapego, para sermos capazes de deixar para trás o que já não faz sentido e procurarmos o nosso próprio caminho.
O poder da Imperatriz não é mental nem particularmente espiritual, antes terrenamente protector. Acorda-nos os sentidos e as sensações, pede que respeitemos o que somos no nosso corpo físico, que procuremos o bem-estar no que a natureza dá – o sol, a brisa, os alimentos, o sono… Que cuidemos dos outros e das suas necessidades, acima das nossas próprias, como é apanágio da essência maternal: a sua prioridade são aqueles de que cuida, sejam pessoas, animais ou outros seres vivos. A realização pessoal da Imperatriz reside na felicidade e bem-estar dos seus protegidos.
Com o Carro, temos a energia do desapego. Conseguirmos deixar o que nos prende, largar amarras, seguir em frente rumo ao novo – eis o que isto implica. Praticar o desapego é ser capaz de deixar para trás o que já não nos serve, partir para outra sem remorso, ultrapassar as dificuldades passadas pelo afastamento. Este Arcano chama a nossa atenção para uma acção controlada, dirigida e não evasiva. Pede autocontrole, domínio e não deriva, que tenhamos em mente que o nosso percurso pessoal não é o mero produto das circunstâncias, mas o resultado das respostas que damos, conscientemente, a essas circunstâncias. Todo este processo leva a que muitas vezes criemos uma carapaça de protecção, uma personalidade exterior que nos protege, que mostramos para fora.
É importante lembrar que o caminho que o Carro segue não está determinado à partida, antes é o resultado de decisões que as sucessivas encruzilhadas lhe vão impondo, num percurso em etapas feito de constantes escolhas. Desta vez, tudo está condicionado pelo imperativo de respeitar e proteger quem está ao nosso cuidado. As circunstâncias vão exigindo um grande controle para escolher o melhor, de entre opções que não podemos pré-determinar, para salvaguardar os supremos interesses dos nossos protegidos.
Peço que tenhamos em mente que é preciso também que cada um cuide de si, para ser capaz de cuidar bem dos outros. É necessário que saibamos reservar momentos, por curtos que sejam, de estar em paz connosco, de recuperar e nutrir o nosso corpo e espírito. Não por egoísmo, mas por instinto de sobrevivência, na certeza de que temos de estar o melhor possível para podermos ajudar quem de nós necessita.
Depois, é ser determinado e focado ao desbravar caminho. Estamos em movimento e o que nos vai acontecer depende das escolhas que formos fazendo, para nós e para os nossos. Sejamos valentes e sensatos, ousados mas conscientes.
Uma boa semana para todos nós!
Imagem: Tarot of the Sevenfold Mystery, de Robert M. Place, 2012 (2021, 2ª ed.

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