Por Clara Days:
Ideias-chave: conformismo, criatividade e bloqueio; sigo a regra, dividido entre o impulso e a espera; ideologia com sacrifício da iniciativa
Nesta semana somos regidos pela batuta da energia do Hierofante, o sumo sacerdote que dita a regra a que devemos conformar-nos, para garantir a pertença à nossa comunidade. Esta entrega faz-se pela inactividade contemplativa do Dependurado, ou pelo impulso inspirado pelo Mago, de intervir para modificar o que nos rodeia. Não é simples, portanto, nem será agradável, provavelmente.
Comecemos pela energia do Arcano Maior Cinco, o guardião da ideologia e da moral, patrono do grupo identitário de referência onde cada um se pode integrar – respeitando regras, princípios ou dogmas. Com o Hierofante somos convidados a agir em conformidade com as recomendações do grupo, a respeitar o poder da respectiva ideologia, a agir dentro da moral aí vigente. Numa perspectiva positiva, o Hierofante pede que procuremos um caminho de iluminação, estudando os credos e dogmas para os conhecer e não apenas os respeitar. Na acepção negativa, é a fé cega a que nos acomodamos, sem questionar nem aprofundar, mãe da intolerância dos princípios e valores de outros grupos. Para todos os efeitos, será um preço que pagamos para garantir a nossa pertença, a integração plena entre os “nossos”.
A balizar esta tendência dominante de valorização do que nos liga ao grupo estão duas forças contraditórias entre si, as do Mago e do Dependurado.
O Mago é mensageiro, argumentador, criativo e habilidoso. Sabe aproveitar as oportunidades e intervir no concreto. Desde que o seu poder seja dirigido para o bem, é um inventor e criador poderoso; se mal dirigido, pode se um manipulador. Quando surge esta influência, somos lembrados de que é tempo de agir, de fazer acontecer. Actua usando as ferramentas que as circunstâncias lhe proporcionam – mais do que um improvisador, é um potenciador do uso criativo e consistente do que a vida lhe traz, para concretizar. Com o que lhe está acessível, transforma a realidade e dá corpo aos sonhos.
Quanto ao Dependurado, corresponde a momentos de mudança de rumo na nossa vida em que precisamos de nos afastar, esperar e reflectir. É como um tempo suspenso, em que teremos de parar para conseguir ver as coisas de outra maneira, por um ângulo novo; depois, interiorizar essa visão, para sermos capazes de retomar a acção na direcção escolhida. Digamos que é como um período de trégua entre momentos significativos, traçados pelas forças de mudança da vida, em que a espera é indispensável e a inacção também. O Dependurado não traz pressa nem aceita movimentação urgente, antes exige imobilidade e reflexão.
Em que ficamos, então, se somos inspirados em simultâneo para fazer acontecer e parar para reflectir? Qual das atitudes assumimos, já que são o contrário uma da outra? Tudo isto depende do modo como queremos viver a força do Hierofante, que paira sobre os acontecimentos e nos impele a valorizar, acima de tudo, os princípios dum colectivo ideológico a que já pertencemos ou queremos pertencer. Será uma equação muito pessoal, que cada um terá de fazer de acordo com o seu caso específico, dentro das suas circunstâncias. Tentemos seguir o caminho mais justo…
Uma boa semana para todos nós!
Imagem : Dreaming Way Tarot, de Rome Choi e Kwon Shina, 2012

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