Por Clara Days:
Ideias-chave: ajustar o instinto; equilíbrio e independência; limitando a transgressão.
Que belo par de energias se juntam para esta Lua Cheia de princípios de Abril! Entre os limites que o bom senso da Justiça nos sugere e a compulsividade do Diabo, capaz de ser desbragada, andaremos a tentar pôr a vida num equilíbrio que nos aparece como bastante instável.
Primeiro temos a Justiça / Ajustamento, a pedir que sejamos capazes de escolher com a imparcialidade necessária os caminhos por onde teremos de seguir, em função daqueles por onde já passámos. Há aqui uma alusão ao livre-arbítrio, encarado como a maior responsabilidade de cada um para consigo e para com os outros. Cada escolha que fazemos, cada decisão que tomamos, deve partir de um esforço de análise das circunstâncias em questão, tentando vê-las desapaixonadamente e não desprezando umas em favor de outras. O objectivo é procurar o equilíbrio e a paz interior, pondo a razão ao comando.
Mas o Diabo não serve os outros. Caminha em frente, se necessário contra tudo e todos, conduzido por uma vontade que lhe vem do mais íntimo do seu ser e que lhe permite encarar as consequências dos seus actos sem medo. O instinto guia-o, ou melhor, ele é a encarnação dos instintos, irracionais e poderosos, de que somos dotados para preservação da vida e continuidade da espécie. Está ligado ao lado material, físico, das nossas pessoas, e é temerário na capacidade de assumir comportamentos arriscados e de o fazer sem apoios, só por si e para si.
Então, onde ficamos? Como articulamos o ajustamento às circunstâncias que a vida nos impõe com a fúria de seguir sem regras, a busca de equilíbrio com o correr de riscos sem medir consequências? Tudo isto parece muito controverso e contraditório.
Penso que a solução terá de estar em compreender melhor o papel do Diabo nas nossas vidas. Se formos honestos, veremos que ele é profundamente verdadeiro, ao impulsionar-nos para seguir o que o instinto nos dita, por muito inconveniente que isso pareça. O papel que a Justiça aqui terá pode ser então o de procurar minimizar algum dano externo que o nosso comportamento natural perante os acontecimentos possa trazer, embora dando ao Diabo a primazia na escolha das opções.
Procuremos preservar a nossa integridade, consideremos os nossos impulsos primários, mas tentemos comportar-nos sem levantar demasiada poeira, sem atrapalhar a vida de quem nos rodeia. Ponhamos a razão ao serviço do instinto, respeitando-o em vez de o reprimir. Alarguemos o nosso conceito de “razoabilidade” de modo a permitir que sejamos independentes nas nossas decisões e comportamentos, na medida em que eles não afectem mais ninguém.
Uma boa semana para todos nós!
Imagem : Tabula Mundi Tarot, de M.M. Meleen, 2012

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