Por Clara Days:

Palavras-chave: emoção; intuição; imaginação; passado que prende.
Esta Lua, arcano maior 18, vem chamar-nos para uma viagem interior, onde seremos forçados a enfrentar a nossa sombra, o lado escondido, profundo, de cada um de nós.
Não será talvez uma viagem fácil, pois passamos a vida a funcionar mais à superfície e esta busca interna põe-nos perante a necessidade de aceitar coisas de nós que sempre preferimos ignorar, evitar, negar. Ela surge no Tarot entre Estrela e o Sol: a primeira deu-nos orientação, o segundo iluminar-nos-á. A Lua, por sua vez, exigire que nos exploremos.
É um tempo passivo e introspectivo, o encontro com o subconsciente, também um mundo de sonhos e ilusões. E por muito que costumemos afirmar que gostamos de viagens de auto-conhecimento, há sempre uma dimensão de receio perante um desconhecido que, paradoxalmente, somos nós – os vestígios dolorosos do nosso passado mais antigo, os medos instalados que nos condicionam.
Qualquer que seja a situação da vida, a saída melhor exige reconhecer, aceitar e iluminar os aspectos mais obscuros do nosso ser. Não adianta virar as costas à sombra, pois mesmo que nos dirijamos para a luz, a sombra permanecerá e pode até aumentar. Mas como, nesse caso, a luz nos impede de a ver, torna-se mais fácil sermos manipulados pelo lado sombrio.
A Lua faz-nos ainda correr o risco de nos perdermos na própria sombra.
Dito assim, parece que se nos apresenta uma semana difícil e um tanto assustadora. Não devemos encará-la assim. Esta influência do arcano 18 dá-nos a oportunidade de explorar o auto-conhecimento, o que sempre fortalece a nossa individualidade.
As representações visuais desta carta aparecem ligadas a animais terrenos, em muitos casos, sendo os mais frequentes os cães (lobos?) que uivam para ela e o lavagante / caranguejo que sai da água em sua direcção. A Lua tem muitas vezes face, ou um perfil humanizado, e é-nos apresentada ou em fase crescente (mais raramente minguante), ou cheia, ou em fases sobrepostas. Dela podem cair pingos de luz sobre a terra. Não raramente surgem figuras humanas, femininas, a acompanhá-la. E, naturalmente, o tempo representado é nocturno. A representação de água, elemento simbólico do nosso lado emocional, é quase omnipresente. Surgem também frequentemente duas torres simétricas, como que faróis que orientam para a saída de um porto, rumo ao mar alto, onde o nosso inconsciente poderá correr perigos, mas também fazer as maiores viagens.
Não se pense que a correspondência astrológica deste arcano 18 é também a Lua-astro. Essa está associada a outro arcano, A Sacerdotisa. A Lua do Tarot corresponde ao signo de Peixes, das águas universais, fim do ciclo anual do Zodíaco, que nos permite a transcendência. A letra hebraica que lhe corresponde é KOPH, ou KUF, um ciclo de tempo. O seu título esotérico “O Regulador do Fluxo e do Refluxo.
Esperam-nos dias de encontro connosco, de exploração interior. Talvez seja um tempo mais discreto e silencioso, em que precisemos de nos recolher. Aceitemo-nos por inteiro, reconhecendo o nosso lado lunar, sombrio. Esta é a condição necessária podermos vir a compreender melhor a Luz que se seguirá.

Clara Days

Imagem da carta da Lua do Tarot clássico de Marselha

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