Por Clara Days
Palavras-chave: Intuição; auto-conhecimento; emoção; sonho.
A Lua não é uma carta confortável. Ela propõe-nos uma viagem interior de auto-conhecimento em que o que tende a surgir são os aspectos da nossa vida que não queremos reconhecer, que evitamos ou mesmo negamos. O estado mental que sugere deixa-nos entre o sonho e a realidade e pode ser percebido como um tanto ameaçador. Representa o nosso lado escuro.
A Lua poderá mostrar-nos os nossos medos, muitas vezes relacionados com aspectos da infância que se encontram profundamente enraizados na nossa forma de actuar e que nem por isso temos consciência deles.
Propõe-nos que tenhamos atenção aos nossos instintos e aos sonhos desta semana, pois estamos particularmente sensitivos e isso abre-nos a intuição para descobertas interiores.
O tempo da Lua é de passividade, emoção e sentimento. Ela dá-nos o vislumbre dos aspectos mais escuros do inconsciente e permite-nos reconhecer o passado que nos prende. O essencial é não ter medo, porque o nosso lado escuro faz parte de nós, é o contraponto do lado público, mas é nele que moram também desejos secretos e sentimentos escondidos.
As imagens desta carta nos baralhos mais antigos associam a Lua-astro a personagens terrenas: no Tarot Visconti-Sforza (1451) ela tem dimensões reduzidas e está na mão de uma mulher, no Gringonneur ou Charles VI (1455) dois astrónomos parecem estudá-la. Mas a partir do Tarot de Marselha (1760) o aspecto da carta passou a conter elementos que têm sido recorrentes: uma Lua com perfil de rosto humano parece atrair lágrimas de várias cores vindas da terra; cá em baixo, dois cães mostram na sua atitude corporal que estão atentos a ela, ou a uivar-lhe; ao fundo há duas colunas, uma branca, a outra preta, que enquadram lateralmente a imagem; em baixo, água de onde sai um lavagante, ou caranguejo. Diferentes versões deste conjunto de elementos são o que predomina na grande maioria dos baralhos produzidos desde então, e ainda hoje.
Em astrologia, esta Lua do Tarot corresponde ao signo de Peixes, signo de poetas e de devotos, da transcendência. A letra hebraica que lhe corresponde é KOPH, ou KUF, um ciclo de tempo. O seu título esotérico é “O Regulador do Fluxo e do Refluxo”.
Nesta próxima semana, marquemos encontro connosco. Não vão ser dias exuberantes, vai haver lugar para algum recolhimento e meditação. Acordados ou em sonhos, estaremos mais intuitivos, capazes de enfrentar os pensamentos mais secretos. Não nos assustemos. É só a Lua a querer que nos aceitemos como somos.

Clara Days
Imagem: A Lua no Tarot Visconti-Sforza

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