Por Clara Days:
Palavras-chave: Intuição; auto-conhecimento; emoção; passado que prende.
Na semana que se segue ao segundo eclipse de Setembro e com a aproximação do Equinócio, o Arcano Maior 18, a Lua, vem sugerir-nos uma viagem interior de conhecimento e aceitação. Ela convoca em nós o lado escuro, escondido, que tendemos a ignorar ou até negar, mas que faz parte da nossa essência profunda.
A Lua poderá mostrar-nos os nossos medos, muitas vezes relacionados com aspectos da infância, que se encontram profundamente enraizados na nossa forma de actuar, sem que cheguemos a ter consciência deles. Há qualquer coisa de ligação ao passado neste arcano 18, mas a um passado que prende, que nos inibe de expandirmos o melhor de nós.
Para que haja uma libertação, um verdadeiro equilíbrio do nosso ser interior, precisamos de encarar esses medos e os aspectos sombrios da nossa pessoa.
“Toda a alma tem uma face negra, nem eu nem tu fugimos à regra”, diz a canção nos versos de Carlos Tê. É desta Lua que aqui se fala.
Qualquer que seja a situação da vida, a solução passa por reconhecer, aceitar e iluminar os aspectos mais obscuros do inconsciente. Não adiante virar as costas à Sombra, pois mesmo que nos dirijamos para a Luz, a sombra permanecerá, podendo até aumentar, pois como a Luz nos impede de a ver, torna-se mais fácil sermos manipulados por ela.
A Lua do Tarot é, na verdade, a grande inspiração para o auto-conhecimento.
As representações visuais mais antigas desta carta representam o astro em interacção com uma mulher – de facto, a Lua é recorrentemente encarada como um elemento “feminino”, nas diferentes latitudes e culturas. Há também uma versão ancestral que a mostra como objecto de estudo astronómico, com dois homens e seus aparelhos de observação. Mas a partir do baralho de Noblet (1650), de que deriva o vulgarizado Tarot de Marselha, a carta passou a representar um conjunto de elementos que ainda hoje persistem na maioria das versões: uma Lua com perfil de rosto humano que parece atrair lágrimas de várias cores vindas da terra; cá em baixo, dois cães (ou lobos) mostram na sua atitude corporal que estão atentos a ela, ou a uivar-lhe; ao fundo há duas colunas, geralmente uma branca e a outra preta, que enquadram lateralmente a imagem; em baixo, água de onde sai um lavagante, ou caranguejo.
A Lua do Tarot corresponde ao signo de Peixes, fim do ciclo anual do Zodíaco, que nos permite a transcendência. A letra hebraica que lhe corresponde é KOPH, ou KUF, um ciclo de tempo. O seu título esotérico “O Regulador do Fluxo e do Refluxo”.
A Lua oferece-nos o fortalecimento da nossa verdadeira identidade, ajudando-nos a descobrir os nossos desejos mais íntimos, compreendendo o que é ilusão e discernindo o real com maior clareza. Esperam-nos dias de encontro connosco.
Esta semana , aceitemos fazer uma viagem interior, pacifiquemos a nossa sombra. Assim poderemos percorrer bem melhor o caminho da luz.

Clara Days
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Imagem: autor anónimo – Serravalle Sesia (Itália), 1880

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