Por Clara Days:
Palavras-chave: auto-conhecimento; retiro; procura; orientação.
O Eremita, arcano maior número 9, representa no Tarot o Princípio da Introspecção. É o peregrino solitário que busca o seu caminho, iluminado pela luz da consciência, lentamente, passo a passo. É quase como se estivesse só no mundo, pacientemente, amigo do silêncio e enfrentando a escuridão.
A energia deste Eremita consegue ser ao mesmo tempo intensa e suave, mística e íntima. Afasta-se dos outros e da confusão do mundo social porque só nesse retiro consegue ver o que deseja e ouvir a sua voz interior. Com o Eremita, temos sempre uma etapa de abrandamento, um tempo de olhar para dentro. Ainda que no meio de outros, o Eremita observa, não interage – o seu diálogo é interior. E, no entanto, a luz que transporta frequentemente orienta quem está junto a si: ele mostra caminhos, sem que os imponha a mais alguém.
O Eremita é um Sábio, experiente, vivido. Procura e enfrenta os seus verdadeiros desejos, motivações e medos. Ele sabe que o mais importante não são as circunstâncias, mas o modo como estas o afectam, como reage perante elas. Percorre um trilho que lhe eleva a consciência individual e o aproxima da visão universal – é também um aprendiz.
As imagens das cartas dão-nos a ver um velho, geralmente vestido como monge peregrino, que empunha uma lanterna acesa. O espaço à sua volta é simbolicamente nocturno e a luz que transporta pouco o ilumina. Quando se lhe percebe o cenário, é geralmente árido ou inóspito – rochoso, com neve, austero. Por vezes, surge acompanhado de um animal, um canídeo real (lobo) ou mitológico (Cérbero, o cão de 3 cabeças). Tem barbas brancas, apoia-se num bordão e assume, em muitos baralhos, a postura curvada de um idoso. Há uma mensagem de melancolia e solidão neste velho caminhante. O vestuário cobre-o e resguarda-o – geralmente, apenas o rosto e as mãos aparecem bem visíveis. O bastão liga-o à terra, a lanterna ao espaço em volta.
Astrologicamente, o Eremita está associado ao signo de Virgem, terreno e meticuloso, da discriminação. A letra hebraica que lhe corresponde é YOD ou YUD, a mão. O seu título esotérico: “O profeta do Eterno” ou “O Mago da voz do Poder”.
Esta semana convida-nos a procurar a sintonia com o nosso eu interior. Que escolhas fizemos na vossa vida? Estamos a levar a vida que desejamos? Olhemos para dentro e procuremos as respostas: será que a personagem pública que criámos reflecte e dignifica quem na realidade somos?
Aproveitemos a energia do Eremita para reencontrar a nossa verdadeira essência.
Imagem: Italiano antigo – Della Rocca

Clara Days

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