Por Clara Days:
Palavras-chave: Subconsciente; intuição; silêncio; receptividade.
Era tradicionalmente designada como Papisa, nos Tarots europeus ancestrais, esta mediadora do espírito que é o Arcano Maior numerado a 2 (e por isso representando uma dualidade). Espiritualmente, representa a aprendizagem sobre o mundo exterior, sobre como tudo funciona através da lei da atracção e repulsão: para haver sabedoria tem de haver ignorância, para haver amor há ódio, e assim com outras dualidades, luz/trevas, acção/passividade e por aí fora. Mas, ao fazer exactamente essa ligação com as leis do exterior, a Sacerdotisa remete-nos para dentro de nós, mostrando-nos que a intuição é a melhor forma de entender, pois para poder julgar a dualidade o melhor é seguir a nossa percepção interior.
A energia que nos inspira pede então muita interioridade, muito silêncio para que o que está dentro de nós se possa revelar. A Sacerdotisa medita, não em busca de respostas, mas simplesmente para se ouvir, para trabalhar com o seu inconsciente.Tudo o que desejarmos aprender sobre nós ou sobre algo será mais facilmente atingido. Ela traz consigo a vontade de aprofundarmos os nossos conhecimentos, num processo de acesso ao conhecimento mais intuitivo do que racional, por isso difícil de exprimir em palavras. A Sacerdotisa permite que entremos em contacto directo com a nossa Criança Interior, aquela parte de nós que se encontra em estado puro.
Este Arcano Maior 2 representa pois a essência feminina no seu lado subconsciente: passivo, silencioso, com poderes psíquicos. Entra no mundo da sabedoria através das suas capacidades mentais e do seu poder de compreender o que não é visível.
Nos baralhos mais antigos tratava-se da Papisa, por isso representada com vestuário de monja coroada. Nas representações visuais mais recentes a cor azul está quase sempre dominante, associada à Lua e ao conceito de santidade. A mulher que nos é mostrada tem traje e pose de oficiante religiosa, ou de deusa. Adorna-lhe a cabeça uma tiara que pode ter três níveis, onde a Lua está presente; muitas vezes empunha um livro sagrado, que não costuma ler, antes apontar para que outros o vejam. Ladeiam-na frequentemente duas colunas, geralmente de cores diferentes, ou uma branca e a outra preta (a luz e as trevas). Sentada ou de pé, parece meditar e emana tranquilidade. É frequente a presença de um véu, símbolo do mistério, como que uma cortina que separa o visível do que está oculto. A presença da Lua, do quarto crescente, é quase inevitável, e há sempre algo de nocturno no cenário.
Astrologicamente a Sacerdotisa corresponde à Lua, que representa o inconsciente, a nossa memória colectiva. A letra hebraica que lhe corresponde é GIMEL ou GUIMEL, a recompensa; no entanto, no caso deste arcano, há autores que a relacionam com QOPH, um ciclo de espaço e tempo. O seu título esotérico é “A Dama do Eterno”.
A Sacerdotisa dar-nos-á esta semana mais capacidade para ver, para além das barreiras físicas. Fiquemos atentos à nossa percepção intuitiva, confiemos nas sensações espontâneas e na impressão que os acontecimentos e ambientes provocam em nós.
Atentemos nos sonhos, nas visões e percepções, oiçamos a nossa criança interior, olhemos os sinais que a vida coloque no nosso caminho. Estejamos disponíveis para ver as maravilhas que se possam revelar durante esta semana, e tudo correrá pelo melhor.
Aceitemos o silêncio. Meditemos.

Imagem  – A Sacerdotisa – Tarot de Rider-Waite, desenho de Pamela Smith (1910)

Clara Days

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