Por Clara Days:

Palavras-chave: percepção; comunicação; criatividade; perícia.
O Mago representa aquela parte de nós que que alia a dimensão intelectual na relação com os outros e o mundo – analisar, falar, comunicar – com o entendimento do essencial, um conhecimento do fazer como meio de tornar a ideia realidade. Ele tem vontade e toma a iniciativa, passa do pensamento à acção. A sua atenção e energia são dirigidas para objectivos externos, alia engenho e arte – a capacidade de elaboração criativa com a habilidade da realização.
No Tarot ancestral francês o seu título é Le Bateleur, segundo a personagem medieval e renascentista que realizava na praça pública performances de mágica, malabarismo ou música e trazia notícias e lendas de outras regiões e culturas. Daí estar associado ao pensamento e à acção, mas também à comunicação e às mensagens. Posteriormente designado como Mago, ele é mensageiro, argumentador, convincente, criativo e habilidoso. Sabe aproveitar as oportunidades e intervir no concreto. Desde que o seu poder seja dirigido para o bem, é um inventor e criador poderoso. Se mal dirigido, pode se um perigoso manipulador.
Quando surge o Mago, somos lembrados de que é tempo de agir, de fazer acontecer. Contudo, é preciso que façamos uma análise simples do que nos vai dentro, para que consigamos confirmar se a nossa necessidade a vontade internas estão de acordo com a acção a que nos propomos; só assim poderemos atingir o que desejamos.
Um dos atributos mais interessantes deste Arcano Maior é que ele actua usando as ferramentas que as circunstâncias lhe proporcionam – mais do que um improvisador, é um potenciador do uso criativo e consistente do que a vida lhe traz, para concretizar. Com o que lhe está acessível, transforma a realidade e dá corpo aos sonhos.
As imagens do Tarot mais primitivo apresentam-nos o “bateleur” com a sua banca montada, onde pode ter expostos, entre outros instrumentos, os que simbolizam os quatro naipes (os quatro elementos): a taça (copas, água), a vara (bastões, fogo), o gládio (espadas, ar) e o pentagrama em moeda (discos, terra). No entanto, com mais evidência a partir do Tarot de Rider Waite (1910) a postura do Mago passa a ter um significado: erguendo a mão direita para o céu, empunhando um bastão de poder, tem a mão esquerda apontando para o chão, para a terra. Sobre a sua cabeça, em algumas soluções gráficas, paira a Lemniscata, o 8 horizontal que simboliza o infinito. O bastão é representado em vários baralhos como o caduceu, a vara com serpentes, usada para representar a medicina – símbolo de poder e clarividência. Assim, a pose do Mago sugere que ele seja aquele que põe em contacto o divino e o concreto, o céu e a terra – o pensar e o agir, na leitura mais comum.
Astrologicamente, o Mago é Mercúrio, intelectual, comunicador, o deus veloz e mensageiro. A letra hebraica que lhe está associada é BETH, ou BEIT, a Casa. O número 1 dá-lhe a individualidade, a particularidade e a distinção. O seu titulo esotérico: “O Mago do Poder”.
Esta poderá ser uma semana muito intensa a nível intelectual, em que a mente não vai parar de receber mensagens, de estabelecer relações e planear – magicar, no verdadeiro sentido da palavra. É-nos pedido que a nossa iniciativa, que surgirá enaltecida, se baseie naquilo que desejamos, mas que ao mesmo tempo esteja em sintonia com a realidade em que vivemos.
É tempo de agir, em consonância com o que temos dentro e de acordo com o que podemos fazer, com a nossa habilidade e competência. A verdadeira palavra de ordem para esta semana: Mãos à obra!
Imagem  – Tarot de Rider Waite, com desenhos de Pamela Smith (1910)
Clara Days

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