Por Clara Days:

Palavras-chave: comunicação; criatividade; manifestação; concretização.
O Mago é a primeira carta numerada do Tarot e a respectiva personagem pode ser considerado como a forma adulta do Louco: enquanto este último tem simultaneamente a ingenuidade e a coragem de seguir qualquer caminho, o Mago é o idealista concretizador, que passa do pensamento à acção. Há autores que lhe atribuem a qualidade de ser o Princípio Masculino Universal, entendido no seu sentido simbólico de poder intelectual em relação com o exterior e procurando intervenção no mundo – enquanto que o equivalente feminino se virará mais para dentro, para o subconsciente, relacionando-se com a realidade de modo intuitivo.
Há neste Arcano a necessidade permanente de passar à acção, mas o impulso é sempre mental. E aqui temos de realçar a criatividade intrínseca que caracteriza este tipo de pensamento, que se propõe intervir, agir, transformar, em qualquer circunstância e com os meios disponíveis. O Mago liga o céu à terra, no sentido de transportar o espiritual para o físico, de reduzir o abstracto a concreto. Ele anuncia o momento de agir, de fazer as coisas acontecer.
O engenho do Mago é a sabedoria do improviso: qualquer elemento que esteja ao seu alcance pode ser usado como ferramente para a sua tarefa realizadora. A velocidade do pensamento alia-se à visualização do que pode fazer, ao projecto. Assim, num ápice ele encontra soluções de concretização, com um sentido prático profundamente inspirado.
É importante ver como as representações das cartas começaram por atribuir a este Arcano Maior uma personagem comezinha – o “bateleur”, espécia de artista de feira que faz ilusionismo ou acrobacia; com o tempo, são-lhe progressivamente atribuídas qualidades superiores, espirituais. As versões recentes consagraram o Mago pela sua postura, com uma mão elevada aos céus, que empunha o bastão (que pode ser o caduceu, símbolo alquímico da operação mágica pela qual se se une o Macro e o microcosmos), enquanto a outra mão aponta para o chão, transformando visualmente a personagem numa criatura que tem o poder de transportar o “divino” para o “terreno”. Um elemento mantém-se, no entanto: geralmente, sobre a banca de trabalho (ou noutro local do enquadramento), surgem objectos físicos simbólicos dos quatro naipes, ou quatro elementos: a vara ou bastão (fogo), o pentagrama ou disco / moeda (terra), a taça ou copa (água) e o gládio ou espada (ar). Podem variar a idade aparente da personagem, o enquadramento cenográfico, até a postura – mas os quatro objectos primitivos, mesmo que acompanhados de outros, mantêm-se até hoje. São as suas ferramentas, que, no fundo, aludem ao universo de todos os objectos, pois abrangem os quatro campos simbólicos a que aludem – acção, matéria, emoção, pensamento. É ainda frequente a representação da lemniscata ( símbolo do infinito, com a forma de um 8 orientado horizontalmente) pairando sobre a cabeça da personagem, aludindo à sua inspiração superior.
O Mago está astrologicamente associado a Mercúrio, intelectual e comunicador. A letra hebraica que lhe está associada é BETH, ou BEIT, a Casa. O número 1 dá-lhe a individualidade, a particularidade que caracteriza e distingue. O seu titulo esotérico: “O Mago do Poder”.
Esta é uma semana em que seremos inspirados para agir. Qualquer acção, gesto ou palavra deriva de uma vontade inicial, que agora podemos traduzir / converter em algo real, concreto, físico. Vamos pôr em marcha os nossos projectos, as nossas vontades, os nossos desejos.
É-nos pedido que a nossa iniciativa se baseie naquilo que desejamos, mas que ao mesmo tempo esteja em sintonia com a realidade que vivemos. Teremos que compatibilizar o sonho com a possibilidade. Contudo, há que entender que não temos receitas para seguir, antes a nossa criatividade para encontrar as soluções originais.
Olhemos em volta e procuremos as “ferramentas” que nos podem ajudar a dar corpo aos nossos desejos. Aproveitemos a inspiração do Mago para passar do pensamento à acção.

Clara Days
Imagem: Tarot de Marselha Clássico – versão Il Meneghello, 1988

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