Por Clara Days:
Palavras-chave: síntese; culminar; conclusão; transmutação.

Esta carta vem inspirar-nos em dia de Lua Nova, quando o Sol entra no signo de Leão, de que é regente. Surge a anunciar uma síntese final, uma transição de patamar, reforçando estes sinais celestes de recomeço. É o tempo para nos elevarmos acima dos acontecimentos e compreendermos a etapa que passou como um todo, encontrando-lhe as coerências e o sentido, também retirando dela as lições. O propósito é preparamo-nos para um recomeço com mais consciência, mais maturidade, mais visão. Transformados, ou, indo mais longe, transmutados.
Trata-se do último Arcano Maior numerado, aquele que representa o ponto final na jornada de aprendizagem do Louco, quando ele atinge a sua meta espiritual e se harmoniza com o Todo Maior, o Universo. É a síntese final de um processo, que permite a transcendência e nos abre apara um novo começo. Pode ser sentida como um momento celebratório, quando a consciência nos faz relativizar e enquadrar o que vivemos como um tempo de aprendizagem que foi necessário para o nosso amadurecimento em busca da verdadeira sabedoria. O Universo (Mundo) traz mudança interior e elevação, ou não se cumpre.
Este processo leva-nos a procurar entrar numa nova fase da vida. É o momento em que deixamos de estar dispostos a agir rotineiramente sem pensar, por inércia. De repente, questionamos a coerência ou o sentido dos nossos actos e sentimos força para nos reorganizarmos. A energia do Universo permite-nos ver o todo e relativizar o particular.

As imagens desta carta, através dos tempos, foram mudando as suas características. De uma representação em que uma dama ou dois anjos seguram ou se equilibram sobre um espaço físico, ou um território, chegamos à representação icónica que se consagra e vai repetindo, a partir sobretudo do Tarot de Noblet (1650) que origina depois o de Marselha. É a figura de uma mulher dançante, nua e envolta num véu ou écharpe, dentro de uma grinalda ovalada e frequentemente acompanhada, em representação simbólica, pela referência às quatro bestas dos elementos primordiais: touro, leão, águia, anjo. Recentemente, proliferam baralhos com filiações espirituais mais variadas, onde o Mundo / Universo pode ser configurado mais de acordo com a natureza, com imagens referentes a diferentes origens culturais ou religiosas, ou mais abstractas.
Astrologicamente, o Mundo / Universo é Saturno, um planeta lento e intenso, símbolo de persistência e maturidade. A letra hebraica que lhe corresponde é TAU ou TAV, o selo da Criação. O número 21 é a perfeição final por ser 3X7, sendo também considerado um símbolo do esforço dinâmico da individualidade, por ser o inverso do 12, da organização harmoniosa dos ciclos perpétuos. O título esotérico desta carta: A Grande Unidade da Noite do Tempo.

Na semana que entra estaremos mais capazes de concluir. É como se haja uma capacidade de distanciamento inteligente que nos permite enquadrar o nosso momento num tempo mais vasto.
O crescimento passa por terminarmos assuntos pendentes, ou deixarmos cair os que constatamos já não servirem. A discriminação entre uns e outros é feita com uma certeza vinda de dentro, baseada na intuição. Estamos capazes de finalizar, de um modo ou de outro: concluindo ou abandonando. Progredindo, sempre, a não ser que nos deixemos enredar em falsas soluções ou ilusões.
Há a possibilidade de uma harmonia entre corpo e espírito que nos permite relativizar o secundário e elevar o principal, vendo mais longe a nossa nova meta. Mas, para isso, teremos de aceitar transcender o que correu mal no passado e mudar, para melhorar o futuro.

Imagem : Visconti Sforza Original (Accademia Carrara) – séc- XV

Clara Days

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