Por Clara Days:
Palavras-chave: conclusão; síntese final; alcance; evolução

O Mundo (também designado por Universo a partir da escola de Alistair Crowley) é o Arcano Maior com a numeração mais alta, o último patamar na elevação que essas cartas podem representar, quando imaginamos o seu percurso como uma viagem, a jornada do Louco (o zero, potencial absoluto) na sua tomada de consciência e aproximação à compreensão do todo. Significa pois um fim que, como tudo na ordem natural das coisas, anuncia um novo começo.
Há diferentes maneiras de tentar organizar a sequência dos 22 Arcanos Maiores do Tarot, sendo as mais comuns as de base 7 e 10. A primeira considera 3 “septenários”. Aqui, o primeiro conjunto de sete cartas corresponderá ao desenvolvimento da autonomia, o segundo ao contacto com o mundo interior, o terceiro, e último, o da espiritualidade, tendo este como zénite, símbolo de realização, esta carta do Mundo / Universo.
Na sistematização de base 10, temos que quer o Louco, o Zero, como o Mundo, carta 21, estão de fora da caracterização, são cartas únicas, uma de potencial, a outra de síntese final.
Estamos pois perante uma energia de conclusão, uma conclusão esclarecida e construtiva, que pretende encerrar um ciclo de modo a que tudo o que aconteceu antes seja enquadrado e que, da análise, se chegue à síntese, à consciência da aprendizagem, para podermos repor o contador no zero e partir para nova viagem, num patamar de consciência mais elevado.
É o ponto em que sabemos distinguir o essencial do acessório, estabelecer as ligações, entender as raízes e avaliar o percurso sem remorsos nem receios, porque o principal é podermos evoluir, ou mesmo transmutar-nos, numa transformação para melhor. Consciente e inconsciente estão integrados, as coisas fazem sentido e apontam para um futuro diferente.

As imagens das cartas mostram geralmente a relação de uma personagem humana com uma representação mais ou menos simbólica de “Mundo”. Trata-se de uma mulher, que nos baralhos primitivos tinha vestuário mas vai consagrar-se de modo mais unânime despida, envolta numa espécie de écharpe. Se no princípio havia um mundo / paisagem em redoma circular, que ela dominava, posteriormente, a ideia de “mundo” consagra-se na grinalda dentro da qual ela se mostra, jovem e radiosa, em pose de dança. Domina ou ostenta símbolos de poder, numa atitude fácil e natural. Está coroada, segura bastão ou globo, mas mantém a postura de leveza e elevação. É recorrente a presença das quatro figuras simbólicas dos elementos primordiais: touro, leão, águia, anjo. Podem estar presentes diferentes símbolos de espiritualidade: a serpente ou o Ouroboros (serpente enrolada, representativa da eternidade), querubins, a foice (símbolo de colheita final), flores e frutos. Baralhos mais recentes podem partir de diferentes tradições culturais ou espirituais e mostram-nos o olho de Shiva, o Mundo como a raiz da Árvore da Vida, ou borboletas (resultados de metamorfose).
Astrologicamente, o Mundo / Universo corresponde a Saturno, planeta das transformações lentas e profundas. A letra hebraica que lhe corresponde é TAU ou TAV, o selo da Criação. O número 21 é frequentemente caracterizado como aquele que traz “novos mundos”, com grande potencial de realização. Título esotérico desta carta: A Grande Unidade da Noite do Tempo.

Utilizemos a energia deste Mundo para, na semana que hoje se inicia, sermos capazes de preparar um salto qualitativo que possa transformar nossa realidade pessoal. Isso começa pela conclusão de diferentes aspectos do que se tem passado.
É tempo de “arrumarmos a casa”, na nossa vida. Chegou a altura de olharmos de cima e decidirmos terminar tudo o que merece ser bem acabado, deixando, por outro lado, cair o que se revela já supérfluo ou negativo. Não queremos pontas soltas para nos fazer tropeçar no caminho. De facto, só se pode partir para uma posição mais elevada se a base em que nos apoiamos for uma sólida conclusão da etapa anterior.
É um daqueles momentos em que acabar bem é essencial para poder avançar e partir para outra, seja em que área for. Temos a inspiração da serpente enrolada para nos mostrar como fim e princípio se unem, mas, desejavelmente, para um percurso em espiral ascendente, e não numa repetição do mesmo círculo.
É tempo de terminar o que precisa de ser acabado. A energia é harmoniosa e construtiva, novos tempos se anunciam…

Imagem : Tarot Soprafino de Ferdinando Gumppenberg, 1835
Clara Days:

 

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