Por Clara Days:
Palavras-chave: sentidos; fecundidade; natureza; intuição

Se na semana passada tivemos o Diabo a apelar ao instinto, temos esta semana a Imperatriz, a apelar à intuição. Estes conceitos são erradamente confundidos: o primeiro fala de impulsos vitais que vêm do nosso ser irracional, a segunda de um entendimento da realidade baseado na empatia e na experiência, sem processamento mental consciente.
É também o apelo do corpo, a comunhão com a Natureza, o ser e o estar do modo mais simples e terreno. A Imperatriz é mãe, mas é também a Mãe-Terra, a força da natureza a impor-se, regida por leis impossíveis de dominar. Fala de nos ligarmos ao nosso lado natural, instintivo e irracional, mas de um modo doce e harmonioso, sem complicar, sem muito pensar.
A Imperatriz representa no Tarot o Princípio Feminino Manifestado, físico e sensual, enquanto que a Sacerdotisa corresponde ao lado sensitivo e espiritual. O seu par é um Imperador regulador e social, activo e comandante, enquanto que ela é espontânea e natural, mais passiva, protectora e tolerante.
Parece sempre deixar-se ir, mas é porque confia na evolução natural dos acontecimentos. Confia nos saberes profundos sem racionalizar, segue a intuição e aceita a sucessão de altos e baixos dos ciclos naturais, sabendo que depois do dia virá a noite, depois da tempestade a bonança.
A Imperatriz não raciocina, sente. Não ataca, defende. Não toma a iniciativa, ajusta-se intuitivamente às situações. Corresponde à energia Yin da filosofia taoísta, receptiva e intuitiva, paciente, lunar e resistente.

As cartas mostram uma dama reinante, adereçada como rainha, mas geralmente num cenário natural. A coroa, o ceptro, o globo e o escudo podem associam-se a outros elementos que são alusões explícitas a Vénus (desenho do símbolo do Feminino), à Primavera (flores), à fecundidade (espigas, frutos, lebre). Complementarmente, a presença do escudo com a águia real confere-lhe um poder instituído. É frequentemente representada grávida, sentada no seu trono, numa cadeira ou até numa pedra. A flor de lótus, símbolo da deusa Ísis na mitologia egípcia, pode substituir o ceptro. Acontece também ser acompanhada de animais como aves (a pomba ou o pardal de Vénus), borboletas ou abelhas.
A Imperatriz é associada astrologicamente a Vénus, planeta regente da afectividade, símbolo da atracção entre o seres. O seu número 3 representa o relacionamento com o mundo exterior. A letra hebraica que lhe corresponde é DALETH, a porta. O seu título esotérico: “A Filha dos Poderosos Uns”.

Esta é uma semana para nos ligarmos às coisas naturais, dum modo físico e harmonioso. Tudo o que é natural na nossa vida e no nosso envolvimento pode ser cuidado: a família, os animais, as plantas, a comida…
Simplifiquemos. Confiemos na intuição. Ouçamos o nosso corpo e cuidemos também dele, sem culpas ou restrições. Cuidar do corpo é uma forma de nos amarmos e assim estarmos preparados para nos abrirmos aos outros e podermos cuidar deles. A saúde é um estado desejável e temos o dever de fazer tudo o que está ao nosso alcance para ter uma vida saudável.
Tentemos não racionalizar demasiado, ser mais espontâneos e confiantes. Somos um grão ínfimo na imensidão do Universo e tudo o que nos acontece pode ser relativizado.
Demo-nos o direito de nos sentirmos em paz, por uns momentos que seja, sem deixar que os acontecimentos que nos condicionam afectem esse tempo de bem-estar: uma boa refeição, um banho quente, o riso de uma criança, um animal que se enrosca no nosso colo, uma música suave, podem ser verdadeiras fontes de um prazer simples e descomplicado que nos alimenta e regenera.
Na semana que hoje entra somos inspirados para nos ligarmos ao nosso ser natural. Deixemo-nos ir…

Imagem : Tarot de Visconti-Sforza (séc. XV)
Clara Days

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