Energia para a Semana 24/11-1 /12/19-VIII / XI – A FORÇA / ENTUSIASMO

Palavras-chave: Auto-domínio; vitalidade: motivação; paixão

O que faço ao animal que sou? O que me traz o animal que sou? Qual o contraste entre o instinto e a razão? Falamos de dois níveis do ser: o que age sem pensar e o que pensa, antes de decidir agir.
A energia vital que nos comanda motiva-nos para a sobrevivência, em todas as circunstâncias. A condição humana traz-nos a capacidade de decisão, sacrifício e superação, em prol dum bem maior. Há aqui dois lados cujo equilíbrio precisamos de tentar manter.
Negar o poder do instinto é negar a própria existência; no entanto, desde os filósofos antigos que o valor da razão se exalta, em detrimento do comportamento irreflectido. A cultura e a sociedade propõem, ou impõem, os limites que incorporamos como internos, mas que na realidade são feitos de aprendizagem, de “domesticação”. Ora, aqui, com este Arcano Maior, contesta-se a supremacia se um sobre o outro, embora se peça que uma controle o outro – e isto não é uma contradição, ainda que o possa parecer.
De onde nos vem o ânimo, o entusiasmo que nos leva a arriscar e persistir? Não é certamente da racionalidade pura, do poder da escolha contra a aleatoriedade. Queiramos ou não, em toda a obra humana são precisos os dois: a razão / ideia e a vontade / motivação.
Quem comanda quem? Será uma questão de comando? De harmonia? É antes a necessidade de um controle suave, respeitador, ouvinte. O instinto é sábio, parceiro da intuição, essoutra aprendizagem dos sentidos verdadeiros, por trás das aparências. Quando o ponderamos racionalmente, nas decisões que tomamos, estamos a valorizar a nossa essência em estado puro, a seguir as leis da sobrevivência, da natureza. Isto não são pormenores, são “pormaiores”.

Este Arcano Maior surge com dois números, em diferentes baralhos de Tarot: nalguns o 8, visualmente simétrico, noutros o 11, uma capicua – nessa medida, símbolos de equilíbrio. Tradicionalmente esta é a carta 11, mas foi o trabalho de Raider Waite (1910) que lhe trocou a numeração para 8, invertendo posições com a Justiça. Ambos os números são hoje replicados, nas diferentes escolas mais contemporâneas.
Quanto às designações, as dominantes são “Força”, da tradição mais antiga, e “Entusiasmo”, a partir de Alistair Crowley (décadas de 1930 – 1940). O mesmo Crowley a designou como “Lust” (Luxúria, com um sentido mais lato do que o do apetite sexual). Recentemente surgem outras denominações: para o Tarot de Osho Zen é “Avanço”, para outros “Harmonia”, “Persuasão” ou “Coragem”.
As imagens mostram um ser humano e uma fera, geralmente um grande felino, um leão, em interacção. Nos baralhos mais antigos (séc. XV) a cena tanto pode ser de homem dominando o animal pela violência, sovando-o com um pau Mas a que se generalizou é a de uma mulher que lhe segura sem animosidade a boca aberta, numa pacífica cumplicidade. É uma Força feita de controle não violento, cúmplice, amigo, da fera pela mulher. É bastante frequente, nas imagens, a presença da lemniscata (símbolo do infinito) sobre a cena, atribuindo à carta uma característica de superioridade universal.
A letra hebraica que é associada a este Arcano Maior é TETH, a serpente, a espiral que se interliga. O número 11 é um “número mestre”, cuja vibração denota inspiração, intuição e capacidade de levar a cabo as metas mais arrojadas e improváveis; o 8 está ligado à justiça e ao equilíbrio, à mediação de conflitos. Título esotérico da carta: “A Filha da Espada Flamejante” ou “O Senhor do Leão”.
Astrologicamente, a Força corresponde a Leão, signo fixo de fogo, regido pelo Sol. É um símbolo de individualidade, de expansão pessoal, de assertividade e comando. Criativo e energético, pode ainda representar o autoritarismo, a imposição da vontade sobre os outros. O Fogo pode ser domesticado, mas pode devastar sem controle – e Leão representa este elemento na sua plenitude, porque é signo fixo, de meio de estação.

Nesta semana em que teremos uma Lua Nova, tentemos aliar o instinto à razão, nas nossas acções. Não nos violentemos com a tomada de decisões que sacrifiquem ou contradigam aquilo que sentimos ser necessário ao nosso bem-estar. Mas sejamos arrojados.
Temos a inspirar-nos a força da motivação, elemento indispensável para o sucesso de qualquer projecto. Usemos essa energia como alavanca para ver mais longe e almejar mais alto.
O povo diz que “querer é poder”, embora a vida nos prove que tal não é necessariamente verdadeiro. Mas uma coisa é certa: sem querer, não há poder.
Vamos a isso!

Imagem: Tarot Wild Unknown, de Kim Krans, 2016

Clara Days

 

 

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