Energia para a Semana 26 Jan-2 Fev: II A SACERDOTISA

Por Clara Days:
Palavras-chave: subconsciente; espiritualidade; intuição; interiorização.

Eu sou filha da noite, irmã do luar. Sou o que de nós se não vê, o que se vê sem olhar, o que se sabe sem aprender. Sou da Água e nela navego. Sou do silêncio.
Sou intimamente mulher, espiritual, vidente, monja, curandeira. Importa mais o que sinto do que o que digo. Importa mais o que sai da minha presença do que o que sai das minhas mãos. Quem se aproxima de mim, entra numa bruma onde o mistério não assusta. O meu mistério apazigua.
Sou do lugar que existe em todos nós, mas que muitos nunca quiseram conhecer. Nem todos têm a coragem de mergulhar nas águas do subconsciente, profundas e primordiais… A minha voz é interior e o meu poder espiritual. Só em retiro me encontram, embora viva dento de cada um. É preciso despojo, humildade e receptividade, para me encontrar.
Estou disponível, embora imóvel. Sinto, sei e não faço, mas posso inspirar, influenciar. Eu desenho os sonhos, feitos de medos e desejos reprimidos. Eu sou raiz, escondida e essencial.
Sou o Yin, contemplativo, sereno. Sou azul, da noite, do mar, da paz celeste, do terceiro olho, da intuição, também da melancolia. Não preciso de palavras, a solidão não me assusta. Sou a minha melhor companhia.

Ela representa o Princípio Feminino Universal, é o par complementar do Mago. Começou por ser a “Papisa” da igreja católica, mas desde há mais de um século que passou a ser designada como “Sacerdotisa” ou “Suma Sacerdotisa” (High Priestess). O Tarot de Osho Zen chama-lhe “Voz interior” e outros atribuem-lhe nomes como “Intuição” ou “Feiticeira”; associam-na a deusas ancestrais como “Ísis” (Egipto), “Innana” (Suméria) “Ishtar de Uruk” (Babilónia), ou “Ceridwen” (mitologia celta).
Nos baralhos mais antigos era representada como monja coroada, a afirmação do poder espiritual feminino, em tempos de patriarcado. Nas representações mais recentes a cor azul é quase sempre dominante, associada à noite, também ao conceito de santidade. A Lua, em representação simbólica, ou figurativa, está presente; muitas vezes a Sacerdotisa empunha um livro sagrado, que não costuma ler, antes apontar para que outros o vejam. É frequente a presença de um véu, símbolo do mistério, como que uma cortina que separa o visível do que está oculto. Também, recorrentemente, há água. Há sempre algo de nocturno, no cenário da Sacerdotisa…
A letra hebraica que lhe corresponde é GIMEL ou GUIMEL, a recompensa. O 2 é o número da sensibilidade, da intuição, da ponderação e do conhecimento. Título esotérico deste Arcano Maior: “A Dama do Eterno”.
Astrologicamente, este Arcano Maior corresponde à Lua, planeta rápido e de grande relevância nos seus trânsitos pelo Zodíaco. A Lua, regente de Caranguejo, é intimidade e intuição, é infância e plasticidade. Está associada ao elemento Água, onde a fantasia e a poesia encontram o seu lugar. Representa também carência, uma necessidade.

Na semana que passou, com a Imperatriz, fomos chamados a cuidar do que é físico e material. Agora, vem a Sacerdotisa apelar ao espiritual. Duas energias femininas, uma maternal e concreta, a outra quase imaterial, virada para si.
O que nos sugere agora a Sacerdotisa? Que procuremos entender o que está na raiz dos nossos medos e inseguranças, para podermos encontrar uma base mais segura e avançar. Se a semana passada precisou do “estar”, esta precisa do “intuir”, do confiarmos nas mensagens que trazemos dentro e que precisamos de ouvir.
Vivemos tempos de mudança inevitável e há sempre coisas para fazer, decisões para tomar. Mas façamos o esforço de ouvir a nossa voz interior, para a podermos respeitar. Que cada acção ou decisão que tomarmos não violente a nossa verdade íntima, não acorde medos de tempos passados, mal processados e assustadores. É-nos pedido que tentemos ser “bem resolvidos”, não na esfera do contacto social, antes na intimidade do “eu”.
Evitemos dar passos que atraiçoem ou comprometam a nossa verdade mais profunda e radical. Haverá sempre uma solução que permita preservar o que mais prezamos; procuremos encontrá-la, sob a protecção da Sacerdotisa.
Esta energia é tão universal quanto íntima e pessoal. Não está propriamente à procura de algo, é um estado de não-fazer, que deixa emergir o que tiver que vir à tona. Para melhor nos conhecermos. Para melhor nos preservarmos. Para melhor nos respeitarmos.

Imagem– Tarot de Anna K (1ª edição em 2009)

Clara Days

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