Por Clara Days:
Ideias-chave: aventurar e sentir, tentando objectividade; arriscar, entre estar e ajustar; conexão e busca de equidade.
Novamente sou o Louco, criança aventureira, confrontado com o apelo do meu estado natural, enquanto preciso de estar atento e considerar opções para lidar com os acontecimentos que me rodeiam. As contradições entre a minha gestão pessoal e a necessidade de dialogar com o que se passa à volta continuam, pois, a dar-me trabalho.
As visitas do Louco retiram-me da maturidade, empurrando-me para arriscar os comportamentos mais bizarros ou mais ousados, sem antecipar consequências. Para ele, a vida é um permanente livro em branco onde tudo se pode escrever, tudo pode acontecer. Assim sendo, o seu convívio com a maternal Imperatriz é fácil, feito de sensações e conectado com o que há de mais puro e natural.
Enquanto pensamos apenas nestes dois, tudo parece coerente, embora se passe ao nível do espontâneo e irracional. O binómio Louco / Imperatriz é o meu lado “feminino” natural, o ser e o estar e não o pensar ou equacionar. Há aqui uma necessidade de cumprir os desígnios primários da existência, um exacerbamento da minha relação com o corpo e as sensações, a comunhão com os restantes seres vivos do modo mais simples e integrado.
Tudo seria simples, se nos ficássemos por aqui, mas assim não é. Vem também a Justiça, mais reflexiva e racional, obrigando a que se considerem os condicionamentos externos a que temos de dar resposta. Com este Ajustamento, tenho de medir hipóteses e equacionar possibilidades, procurando adaptar o que está ao meu alcance fazer às necessidades que o desenrolar dos acontecimentos me apresenta.
Onde me situo, então, entre a naturalidade física e sensitiva da Imperatriz e a objectividade racional do Ajustamento? Como oscila o Louco entre estas duas senhoras? Como coexistem elas entre si? Nada disto parece óbvio, fácil de viver ou de fazer acontecer.
Tenho para mim que andaremos oscilantes, impulsionados pela força juvenil do Louco para uma ou para outra, desejavelmente do melhor modo possível. O ideal seria saber alternar as duas de acordo com as conveniências, mas isso é fácil de dizer, não de fazer acontecer. Mais provável será que haja desajustes, desencontros entre o que sinto e o que a vida pede de mim.
Como agir, então? Para já, reservando espaço para a Imperatriz poder estar: há que cuidar do corpo, provir às suas necessidades básicas e cuidar das dos demais, também. Que não se descure o descanso, a qualidade do alimento, o exercício físico e o tempo para conviver com a natureza.
Depois, conseguir estar suficientemente vigilante em relação aos acontecimentos externos e ser capaz de fazer os ajustamentos necessários ao nosso comportamento para que possamos dar um contributo construtivo ao seu desenrolar. Mais fácil de dizer do que de fazer… Ainda assim, temos o dever de tentar.
Imagem : Animism Tarot, de Joanna Cheung, 2013

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