Energias para a Semana 6-13/9/26: A Imperatriz III e a Justiça/Ajustamento VIII/XI

Por Clara Days:

Ideias-chave: natureza e objectividade; em sintonia com os sentidos e com as circunstâncias; forças da vida com procura de imparcialidade.

Nesta semana de Lua Nova preparamos o novo ciclo inspirados pela necessidade de, em simultâneo, darmos prioridade ao nosso ser mais natural e adaptarmos a nossa actuação às circunstâncias em que a vida nos colocou.

A presença da Imperatriz apela ao nosso estar físico, no seu estado mais simples e fecundo. Está associada astrologicamente a Vénus, planeta do amor e da sensualidade. No Tarot, representa o princípio feminino manifestado na matéria. Integrar este arquétipo materno significa enraizar-se nas forças vitais, conectar-se com o corpo e os sentidos, deixar fluir o prazer sensorial e vivenciar o amor de uma forma profunda, mas simples, como entre uma mãe e um filho. A Imperatriz vivencia os acontecimentos sem grande processamento mental, mais focada no sensível e em harmonia com os ciclos naturais. Mas atenção: a sua prioridade são os outros, aqueles de que cuida, sejam pessoas, animais ou outros seres vivos. A realização pessoal da Imperatriz reside na felicidade e bem-estar dos seus protegidos.

Analisemos agora o significado da Justiça, ou Ajustamento. Está associada astrologicamente ao signo de Balança, regido por Vénus, simbólico do equilíbrio e da harmonia. A primeira ideia que traz é a imparcialidade, como capacidade de reduzir ao máximo a influência das nossas emoções e preconceitos na apreciação dos acontecimentos. Pede-se um exercício de afastamento e busca de neutralidade, em que sejamos capazes de ser o mais objectivos possível no reconhecimento do que se passa, valorizando os elementos em causa sem evitar algum, nem aumentar ou reduzir a importância de cada um. Enquanto Ajustamento, espera-se que essa neutralidade de olhar se aplique às circunstâncias e acontecimentos que vivemos, que sejamos capazes de os aceitar e, em consequência, de modificarmos o quanto baste o nosso comportamento para a eles nos ajustarmos. Lembra-nos a relação causa-efeito, com consciência e comedimento nos nossos pensamentos e actos, aceitando e gerindo as suas consequências, sem manipularmos a nossa relação com a realidade.

A uma Imperatriz pouco mental soma-se então uma Justiça profundamente racional. Onde se encontram? Penso que a chave está na importância que ambas dão a aspectos que lhes são externos: a Imperatriz, dando primazia àqueles que protege, a Justiça procurando adaptar-se com equilíbrio às circunstâncias. Haja o que houver, o instinto protector e o respeito pelo nosso ser natural devem harmonizar-se com os imperativos dos acontecimentos a que estamos sujeitos. O segredo estará em encontrar essa harmonia venusiana, orientada pelo primado do amor genuíno no seu encontro com a dureza da realidade.

Uma boa semana para todos nós!

Imagem : Complete Kit Tarot, de Dennis Fairchild, 2002

Clara Days

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