Semana de 14 a 20 de Setembro 2026. Até onde vamos poder avançar? O que é que tem de ser negociado e o que é que já não pode continuar como estava? Como progredir nos processos em curso? Há energia para agir e capacidade para organizar, mas as relações, o dinheiro, os compromissos e as palavras vão exigir atenção especial. O desejo ou as aspirações não desaparecem, mas terão de passar pelo crivo da realidade…
Por um lado, podemos agir com eficiência, corrigir erros, tratar de assuntos práticos e defender aquilo de que cuidamos, em particular em temas de casa, família, nação, graças ao Sol em Virgem em sextil a Marte em Caranguejo. Este aspecto é uma combinação produtiva entre a análise e a acção, entre o que precisa de ser melhorado e a vontade de o fazer. Por outro lado, com Marte em Caranguejo a tendência é de continuar a tornar iniciativas com grande carga emocional: facilmente reagimos por defesa, memória, ressentimento ou necessidade de protecção.
No início da semana ainda é possível encontrar soluções inteligentes, perceber o que estava escondido e abrir espaço a novas ideias. Depois, a comunicação torna-se mais difícil. Há respostas que tardam, decisões que enfrentam limites, negociações que endurecem e palavras que podem pesar mais do que se pretendia. Isto porque Mercúrio em Balança afasta-se dos trígonos a Urano em Gémeos e Plutão em Aquário e caminha para uma oposição a Saturno em Carneiro. No fundo, tentamos comunicar diplomaticamente mas o que nos move é altamente emocional e as barreiras acabam por se levantar. Vénus em Escorpião e Marte em Caranguejo mexem com as entranhas, são motores passionais. Mercúrio em Balança quer ouvir os dois lados, encontrar equilíbrio e preservar a relação. Saturno em Carneiro exige uma posição, uma responsabilidade e uma decisão individual. Aqui está a encruzilhada: até onde podemos ceder sem perder autonomia nem desejo e até onde podemos afirmar-nos sem destruir o diálogo?
Mais ainda, Vénus em Escorpião, marca de intensidade sobre tudo o que envolve afectos, alianças, finanças, desejos e relações de poder está em quadratura a Plutão em Aquário toda a semana. É preciso imenso controlo para não nos afundarmos na defesa de dependências, obsessões, ciúmes, interesses escondidos ou desequilíbrios na forma como se dá e recebe. O que parecia apenas emocional pode afinal ser também uma questão de domínio, poder, segurança ou dinheiro. A subida das taxas de juro no final da semana passada, já com Venus e Plutão em quadratura, são sinal claro de que esta semana, mais irá acontecer nas finanças/bolsas globais.
Tudo isto é pano de fundo apesar de ao longo dos dias as circunstâncias irem mudando. Surgem informações inesperadas ou percebemos que determinados acordos já não correspondem às novas condições, dado que Vénus se aproxima de um quincúncio a Urano em Gémeos. É preciso ajustar expectativas, valores e compromissos. Quanto mais tentarmos prender pessoas, riquezas ou situações, maior será a instabilidade. Quanto mais aceitarmos rever o que julgávamos garantido, mais facilmente encontramos uma terceira via.
Na segunda-feira, dia 14, a Lua em Escorpião conjunta a Vénus e quadrada a Plutão intensifica desejos e reacções. É difícil ficar indiferente, mas também é difícil distinguir entre aquilo que verdadeiramente queremos e aquilo que receamos perder. O Sol em sextil praticamente exacto a Marte dá capacidade para agir e resolver, desde que a acção não seja comandada por ciúmes, medo ou necessidade de controlo.
Na terça-feira, dia 15, a Lua continua em Escorpião e entra em tensão com Júpiter em Leão. Tudo parece maior: as expectativas, as emoções, as exigências e até os receios. Podemos exagerar uma promessa, uma despesa ou uma reacção. A intensidade pode ser produtiva se servir para aprofundar um assunto, mas não se for usada para dramatizar ou forçar resultados.
Na quarta-feira, dia 16, a Lua termina a passagem por Escorpião, em trígono a Marte em Caranguejo, antes de entrar em Sagitário. Há coragem para enfrentar o que estava guardado, concluir uma tarefa ou tomar uma iniciativa. Mas, antes da mudança de signo, a oposição a Quíron e a quadratura aos Nódulos podem tocar numa ferida antiga e obrigar a escolher outro caminho. A entrada em Sagitário alarga depois a perspectiva: é preciso sair do labirinto emocional e perceber para onde queremos ir.
Na quinta-feira, dia 17, a Lua em Sagitário faz sextil a Mercúrio e trígonos a Saturno e Júpiter. Este é provavelmente o dia mais fluido da semana para conversar, planear, procurar apoios, estudar possibilidades e transformar uma intenção num projecto. O optimismo de Júpiter pode articular-se com a disciplina de Saturno. Há espaço para pensar em grande, mas com etapas, regras e responsabilidades definidas.
Na sexta-feira, dia 18, o quarto crescente da Lua em Sagitário, em quadratura ao Sol em Virgem, obriga a passar das ideias aos factos. O que imaginámos tem agora de responder aos detalhes, aos custos, aos prazos e às condições concretas. A oposição entre Mercúrio e Saturno já se faz sentir: uma resposta pode ser negativa, uma conversa pode tornar-se mais séria ou uma decisão pode exigir renúncias. Não é necessariamente um bloqueio definitivo. Pode ser apenas o teste que revela se o plano tem estrutura para avançar.
No sábado, dia 19, a Lua entra em Capricórnio e faz quadratura a Neptuno, enquanto estabelece aspectos mais favoráveis com Vénus e Urano. Começamos o dia com dúvidas mas cientes da necessidade de controlar a situação. Convém confirmar informações, não confundir esperança com garantia e evitar assumir responsabilidades baseadas em promessas vagas. Depois, uma alteração prática ou uma conversa franca pode permitir reorganizar relações, despesas ou compromissos.
No domingo, dia 20, a Lua em Capricórnio faz quadratura a Mercúrio em Balança e a Saturno em Carneiro, activando a oposição entre estes dois planetas. Razão, dever e vontade individual puxam em direcções diferentes. As palavras podem ser frias, as posições rígidas e os compromissos difíceis de alcançar. Não vale a pena insistir numa resposta imediata. É preferível definir limites, rever condições e perceber o que é verdadeiramente sustentável.
No final da semana, talvez não tenhamos conseguido tudo o que desejávamos, mas poderemos saber melhor com quem contamos, quais são os limites e que alterações são indispensáveis. Entre o desejo de manter o equilíbrio e a necessidade de enfrentar a realidade, é a clareza que nos permite seguir em frente.
Essa clareza é tanto mais necessária quanto estivermos atentos ao que significa o regresso de Quíron, retrógrado, a Carneiro na sexta-feira, dia 18. Em termos pessoais, leva-nos de volta a feridas relacionadas com a afirmação pessoal, a autonomia e o direito de agir. Situações que julgávamos ultrapassadas podem reaparecer para que percebamos onde a insegurança, o medo da rejeição ou antigas derrotas ainda condicionam as nossas iniciativas. Não se trata de reabrir feridas por abrir, mas de reconhecer que é preciso encarar as fragilidades.
Colectivamente, o regresso de Quíron retrógrado a Carneiro reactiva feridas colectivas ligadas à guerra, à soberania, às fronteiras e ao uso da força. Conflitos antigos, derrotas mal assimiladas, ressentimentos nacionais e traumas deixados por anteriores intervenções militares podem voltar ao primeiro plano. Também se acentuam os temas dos feridos de guerra, das populações deslocadas e das consequências humanas de conflitos. Sendo retrógrado, não aponta necessariamente para uma guerra nova, mas para o regresso a combates, negociações ou causas de conflito que ficaram por resolver — e para a dificuldade de distinguir agressividade, defesa, vingança ou direito a uma voz…
Uma Boa Semana.
R. I.
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