Energias para a Semana 4-11/10/26: A IMPERATRIZ III, O IMPERADOR IV E A JUSTIÇA / AJUSTAMENTO VIII / XI

Por Clara Days:

Ideias-chave: equilibrar o natural com o social; escolher, entre o corpo e a ordem; proteger ou regular, dependendo das circunstâncias.

Semana de contrastes e desafios, na tentativa de equilibrar ou escolher, procurando um ajustamento entre uma Imperatriz que nos liga à espontaneidade das forças da vida e um Imperador que valoriza sobretudo a ordem social, como garante de estabilidade.

A Imperatriz fala de um entendimento da realidade baseado na empatia e na experiência, sem processamento mental consciente. É também o apelo do corpo, a comunhão com a Natureza, o ser e o estar do modo mais simples e terreno. A Imperatriz é mãe, mas é também a Mãe-Terra, a força da natureza a impor-se, regida por leis impossíveis de dominar. Fala de nos ligarmos ao nosso lado natural, instintivo e irracional, mas de um modo doce e harmonioso, sem complicar, sem muito pensar.

O Imperador impõe a sua vontade à natureza, tanto quanto esta lho permite. Cria cidades, defende a lei, organiza e dá estrutura ao quotidiano. Pode resvalar para o autoritarismo, mas é essencialmente a autoridade: respeitado, mais do que temido, pede-nos que aceitemos e cumpramos regras criadas, como é costume dizer-se, “para o nosso bem”. Sem ser complacente, é sobretudo assertivo, não violento ou agressivo.

O Imperador / Pai é a força complementar da Imperatriz / Mãe: ela redonda, fértil, geradora de vida, protectora e instintiva; ele quadrado, racional, actor no mundo social, onde as regras fazem sentido. São dois arquétipos que reflectem a visão tradicional da dicotomia feminino / masculino, representando em conjunto as bases da estrutura pessoal de cada um de nós, individualmente e socialmente.

A procurar equilibrá-los, nesta semana que se avizinha, temos uma Justiça / Ajustamento. Analisemos o seu simbolismo: a primeira ideia que nos ocorre, ao falar de Justiça, é a de imparcialidade, como a capacidade de reduzir ao máximo a influência das nossas emoções e preconceitos na apreciação dos acontecimentos, um exercício interior de afastamento e busca de neutralidade. A ideia de Ajustamento, por seu lado, pede-nos que essa neutralidade de olhar se adapte às circunstâncias e acontecimentos que vivemos, para que sejamos capazes de os aceitar e, em consequência, de modificarmos o quanto baste o nosso comportamento para a eles nos ajustarmos. Este Arcano Maior, num patamar mais elevado de consciência, baseia-se na busca de compreensão das forças que interagem e se equilibram no Universo, transportadas para a escala humana.

Assim: perante a dicotomia entre seguirmos o que nos é natural e nos une empaticamente a tudo o que é vivo ou, ao invés, procurarmos sobretudo cumprir as regras do que é social e valorizarmos a lei e a ordem, teremos de procurar compreender as nossas circunstâncias dum modo racional e escolhermos como nos situamos ou ajustamos. Poderá não ser um exercício fácil, e é possível fazê-lo de forma mais instintiva e maternal (Imperatriz), ou mais racional e reguladora (imperador). Conseguiremos equilibrar estas tendências? Depende de como soubermos ajustar-nos às circunstâncias…

Uma boa semana para todos nós!

Imagem : Seventh Sphere Tarot, de Tina Gong, 2016

Clara Days

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