Por Clara Days:
Ideias-chave: natureza e perdão; confiar nos sentidos para reparar; fisicalidade e iluminação.
São energias que nos têm visitado recentemente, mas que só agora vêm juntas. O tempo é de transição e somos inspirados para conseguir combinar o poder do corpo e dos sentidos (a forma mais natural de estar em si e proteger a vida de outros), com uma elevação iluminada que nos leve à compreensão do passado, para atingir a autoabsolvição.
Sob a influência da Imperatriz somos convidados a dar atenção ao nosso corpo físico, a cuidarmos de nós. É um tempo bom para investir em actividades prazerosas e criativas, em que a nossa faceta artística se possa exprimir. É também um tempo para nos ligarmos ao natural, usufruindo ou cuidando do ambiente e dos seres vivos – plantas, animais e pessoas. Poderemos sentir-nos mais disponíveis para o bem-estar descomplicado, para os prazeres quotidianos, valorizando-os. A Imperatriz simplifica, põe as “mãos na massa” com gosto e alegria. Uma semana com ela pode funcionar como terapia, proporcionando condições para a harmonia e equilíbrio físico e emocional, a partir das coisas pequenas do nosso dia-a-dia – o comer, o dormir, o rir, o cantar, o passear, o namorar….
Por sua vez, a crença num Julgamento do Homem após a morte é comum a quase todas as religiões do Mundo, tendo uma entidade divina como juiz e levando em conta os actos praticados em vida por aquele. O Tarot parte desse conceito universal e traz para o Arcano Maior Julgamento o significado do culminar de uma etapa de vida, que deve ser de avaliação e possível redenção. Acertamos contas com o passado não para punir, mas para evoluir. O entendimento pleno desta mensagem resgata o nosso Eu da pressão de sentimentos de culpa, por via duma autocrítica radicalmente construtiva. As lições devem ser retiradas, os erros reparados, e temos de ser intimamente justos e perdoarmo-nos pelo que não fomos capazes de fazer bem, sem cair na complacência da autojustificação nem nos excessos da autopunição.
Podemos dizer que estas duas energias, da Imperatriz e do Julgamento / Eão, operam a dois níveis na nossa vida: a primeira no lado prático, imediato, na nossa relação com o presente e com o que nos rodeia; o segundo a um nível mais racional e tentando integrar a compreensão do passado num processo de reconstrução pessoal, para preparar o futuro.
Assim, recorramos à influência maternal da Imperatriz para tirarmos partido da simplicidade do que nos rodeia, pelo caminho do cuidado e do prazer singelo, harmonizando o corpo com o que nos é mais natural e dedicando aos outros a devida atenção e protecção. Mas devemos também ter um olhar elevado e pacificar o julgamento que fazemos dos nossos actos passados, procurando enquadrá-los para os poder acertar e corrigir. Talvez a reparação dos nossos erros deva agora passar por descer à natureza mais prática e cuidadora da Imperatriz – é esse o caminho que aqui nos é sugerido.
Uma boa semana para todos nós!
Imagem: The Guardian of the Night Tarot, de M.J. Cullinane, 2022

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