Por Clara Days
Palavras-chave: confiança; abertura; caminho; potencial.
O Louco acredita em si e na vida e assim se lança ao caminho, sempre pronto a descobrir. Para ele não há medos nem impossíveis, nada tem a perder e por isso sempre ganhará. A carta, numerada a zero, representa ao mesmo tempo o princípio e o fim da jornada simbolizada nos Arcanos Maiores do Tarot. Ele é a inocência inicial ou a inocência recuperada, após os caminhos da vida nos ensinarem que o essencial é pouco e o principal está em nós.
O Louco enfrenta as dificuldades como quem chega a uma encruzilhada e escolhe, sem pensar, qual o caminho. Há uma sabedoria profunda no seu olhar quase infantil, despojado de malícia, que lê os acontecimentos sem processamento mental. Tem consigo um animal de companhia e há qualquer coisa que os assemelha, ambos vivem o presente sem remorsos nem antecipações, conseguindo encontrar alegria em cada pedacinho de luz.
A carta representa sempre um “restart” geral e em particular na nossa vida. O Louco está neste mundo a caminhar, mas vive fora dele: os problemas do quotidiano não o afectam pois sabe que as coisas realmente importantes são invisíveis e subtis e que as verdades de hoje, amanhã, serão outras. Assim, ele vive despreocupado e em harmonia com o seu caminho. Optimista e confiante.
Os jogos comuns fizeram do Louco o Joker, carta-talismã, única e possibilitando sempre uma solução especial, uma excepção. Nos baralhos de Tarot mais antigos o Louco tem uma representação muito literal, é um adulto apatetado, por vezes a ser apedrejado por crianças. A partir do séc. XVII, os baralhos conhecidos trazem-nos uma personagem assemelhada à representação visual do bobo da corte. Nas versões mais vulgarizadas ele carrega uma trouxa na ponta de um pau, bagagem de viajante que representará as suas posses – quase nada. Muitas vezes está localizado à beira de um precipício, mas olhando para cima, de tão despreocupado, confiante ou inconsciente. Junto a ele, um cão, que é recorrentemente apresentado em interacção com o seu companheiro: ladra na sua direcção, brinca com ele, abocanha-o. São dois inocentes usufruindo o seu passeio.
Astrologicamente, o Louco é Urano, do altruísmo e da imprevisibilidade. Está associado à letra hebraica ALEPH ou ALEF, o paradoxo de Deus e o Homem. O seu título esotérico é “O Espírito do Éter”.
Uma semana influenciada pela energia do Louco pede que deixemos de lado o medo do desconhecido e arrisquemos aventurar-nos. A nossa melhor bagagem é a espontaneidade, ou seja, não sentir a necessidade de provar nada a ninguém, nem a nós próprios. Deixemos a seriedade um pouco de lado. Surpreendamos os outros que julgam conhecer-nos muito bem, mostrando que é possível reinventarmo-nos a cada dia. Deixemos o melhor de nós próprios sair à luz do sol.

Clara Days
Imagem: O Louco no Tarot de Rider-Waite, ilustrado por Pamela Colman Smith (1910)

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