Por Clara Days

Palavras-chave: integração; realízação; síntese final; alcance.
Hoje que o Sol entrou no intenso Escorpião, a carta que nos vem inspirar para a próxima semana anuncia o culminar duma situação que poderemos finalmente ver completada. O Mundo, designado pelos seguidores de Crowley como Universo, é a última carta numerada dos Arcanos Maiores, um zénite, uma meta que se pode atingir.
Se pensarmos na sucessão dos Arcanos Maiores como a Viagem que o Louco (o lado inocente e disponível de cada um de nós) faz pela vida, em etapas sucessivas de compreensão, temos nos últimos deles os patamares mais elevados: com a Morte (13) renascemos; a Arte ou Temperança (14) traz-nos o início dum trabalho alquímico de transformação; o Diabo (15) ajuda-nos a ultrapassar os limites que nos tinham sido impostos; a Torre (16) derruba os muros que nos aprisionavam; seguimos a Estrela (17), exploramos o nosso mais íntimo ser com a Lua (18), com o Sol (19) nos expandimos e o Julgamento / Eão (20) reconcilia-nos e dá-nos a redenção. Agora, vemos o Mundo como um todo, tocamos o Universo (21).
Com o simbolismo que caracteriza cada uma destas cartas, o Mundo / Universo fala-nos de um tempo de harmonia entre corpo e espírito em que estamos bem connosco, capazes de ver mais longe. Completámos uma etapa e podemos de novo iniciar, num patamar mais elevado, se tivermos sido capazes de aprender com o que passou. É o momento para nos abrirmos a um novo tempo, onde tudo o que iremos realizar possa estar mais sintonizado connosco. É o momento para compreendermos as nossas prioridades e deixarmos cair apostas em causas menores, preservando o que realmente importa.
As representações visuais de diferentes baralhos mostram-nos uma mulher envolta num véu (às vezes serpente), dançando ou em pose triunfante, dentro duma grinalda circular ou ovalada; por vezes o que vemos é Mundo propriamente dito, o planeta Terra, celebrado pela presença humana da dita mulher ou, pontualmente, por crianças ou símbolos naturais. É a glorificação do planeta, mas a Terra é, na maioria dos casos, a mulher, apresentada como jovem e bela, não como uma Mãe-Terra envelhecida ou sábia. No culminar de um processo, a juventude toma a liderança, com sangue novo e alegria. A grinalda é de flores ou folhas e liga a Natureza ao processo, aludindo à tradição ancestral de coroamento por um sucesso obtido. Mas também pode ser um círculo de estrelas, referindo-se ao Universo. É frequente a presença, como em moldura, dos animais de poder que representam os quatro elementos (no Tarot, os quatro naipes): Touro, Leão, Águia, Anjo.
Astrologicamente o Mundo /Universo é Saturno, pai do Tempo, das transformações lentas e profundas. A letra hebraica que lhe corresponde é TAU ou TAV, o selo da Criação. O título esotérico desta carta: A Grande Unidade da Noite do Tempo.
Este arcano sugere-nos que na semana que entra sejamos mais firmes e menos voláteis, que concluamos capítulos pendentes para podermos abrir um novo. Podemos esperar dias bons, em termos de energia, mas depende de cada um de nós aproveitá-la para crescer um pouco mais ou apenas senti-la e deixar-se ir, navegando ao sabor do momento.
Seja o que for que tem andado pendente, durante esta semana pode ser concluído. Mas não será através de lutas ou disputas, será harmonioso, já que o Mundo / Universo é uma carta que nos oferece a energia conciliadora dos opostos.

Imagem: O Universo no baralho de Crowley (Tarot de Thoth), com desenhos de Frieda Harris (1ª edição em 1969)

Clara Days

 

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