Por Clara Days:
Palavras-chave: síntese; meta; evolução; recompensa.
Depois de uma semana em que o Dependurado nos impôs um tempo suspenso, vem agora o Mundo / Universo sintetizar o processo que se acaba ou está para acabar. Dá-nos a capacidade de olhar o todo que está para trás e salientar o relevante, podendo retirar a principal recompensa: o atingir de uma meta. É um ponto em que nos elevamos para um patamar superior de consciência e realização, se soubermos integrar o que passou e procurar novos objectivos.
Dum ponto de vista de misticismo prático, O Universo pode ser considerado a carta mais importante do baralho, pois corresponde a um momento onde podemos cumprir o processo de exploração interior, num caminho em que encontramos a consciência da nossa própria personalidade individual. Quando aqui falamos em “realização pessoal” estamos a falar em alcançar metas, sim, mas também em realização como consciência de si, numa harmonia entre corpo e espírito.
Podemos também considerar os 21 Arcanos Maiores numerados como a Viagem do Louco, o Zero, o peregrino inocente e despojado, seguindo o seu caminho de forma imprevisível, sem preocupações, sem apegos e sem olhar para trás. As três últimas etapas da sua longa jornada pelas cartas, outros tantos arquétipos da caminhada de cada um de nós no encontro com o seu Eu, são: o Sol, a expansão da personalidade, a afirmação individual; depois o Julgamento ou Eão, o tempo de avaliação que permite a redenção; finalmente o Mundo ou Universo, onde o nosso viajante se apercebe do quanto caminhou e aprendeu, sem no entanto ter perdido a sua inocência. Este arcano 21 funciona assim como o zénite, o pico em que o Louco toma consciência de que integrou todas as diferentes partes de si mesmo e atingiu um novo nível de felicidade e realização.
Mas no processo dinâmico da vida, naturalmente, este culminar anuncia a etapa seguinte, adivinha um novo início, pede continuação.
As imagens das cartas sempre associaram o Mundo a uma mulher e um elemento oval ou circular. O Tarot de Noblet, em 1650, que veio a ser a base do tão difundido Tarot de Marselha e de tantos outros que se lhe seguiram, com a consagração de símbolos anteriores: mostra-nos uma mulher-dançarina, despida e envolta numa écharpe ou véu, emoldurada por uma grinalda de forma oval. Nos quatro cantos encontram-se as quatro bestas da Terra, da Água, do Fogo e do Ar, os componentes do mundo manifestado e as bases funcionais da personalidade humana, ou seja, a Sensação, o Sentimento, o Pensamento e a Intuição. A escola de Crowley, a partir do Livro de Thoth, escolhe a designação mais ampla de Universo mas mantém a simbologia visual. Outros elementos como a serpente ou o Ouroboros (serpente enrolada), bem como representações mais próximas do referente – o globo terrestre – podem também ser encontradas.
Astrologicamente, o Mundo ou Universo está associado a Saturno, planeta do karma, senhor do tempo, das longas jornadas. A letra hebraica que lhe corresponde é TAU ou TAV, o selo da Criação. O seu título esotérico: “A Grande Unidade da Noite do Tempo”.
O Mundo diz-nos, claramente, que um ciclo terminou. Desta forma, aproveitemos para encerrar capítulos. Se nesta próxima semana alguma situação nos parecer idêntica a uma outra vivida, relembremos este ensinamento, pois talvez assim tomemos consciência de que mesmo parecendo igual ela nunca é – e saibamos resolver diferentemente, e melhor, o que precisar de ser resolvido.
É tempo de ultrapassar assuntos pendentes, ou porque percebemos que devem ser abandonados, ou porque temos de os concluir de uma vez por todas. Podemos esperar muito boas ondas a vir no nosso caminho. Agora, pode acabar a indecisão e a espera: agora, podemos resolver.
Imagem – O Universo no tarot de Crowley, desenhado por Frieda Harris – primeira edição em 1969 (mas realizado entre 1938 e 1943)

Clara Days

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