Por Clara Days:
Palavras-chave: visão; síntese final; conclusão; alcance.

Depois de termos vivido a semana passada com a energia transformadora da Morte, vem agora o Mundo, ou Universo, trazer-nos dias de síntese final e conclusão de um processo, lembrando-nos que cada etapa que termina transporta em si a semente da etapa seguinte.
O Mundo é a última passagem do Peregrino na sua viagem pelos Arcanos Maiores, num momento em que já experimentou, meditou, acertou, falhou, corrigiu, aceitou, compreendeu… Está agora em posição de poder olhar para trás e ver o que tem acontecido como um todo, do qual consegue sintetizar o sentido. Está simbolicamente num pico da existência em que tem a visão do que foi e antecipa a visão do que será. É um tempo de conclusão, que pode também ser de transmutação, o último degrau para uma possível metamorfose.
O Mundo / Universo sugere a possibilidade de transcendermos a nossa realidade e nos abrirmos ao novo. Há uma obra consumada e isto pode traduzir-se, a nível concreto, num momento de realização pessoal. Essa sensação de termos cumprido uma etapa vem da tomada de consciência de que tudo o que passou nos permite reconciliar-nos com o nosso Eu interior e apaziguarmos os receios de não estarmos à altura de nós própios. Há que terminar o que está por acabar e viver essa conclusão como uma vitória.

A figura central das cartas, na grande maioria dos baralhos, é uma mulher nua (há autores que consideram que se trata de um andrógino), envolta numa écharpe, dançando dentro de uma grinalda; por vezes tem a presença de uma serpente, símbolo de regeneração e imortalidade. A personagem segura em certas representações o bastão do poder, ou uma foice cuja curva se assemelha à figuração da Lua, como que aludindo a que esta pessoa está em em harmonia entre o consciente e o inconsciente. Nos cantos da carta é frequente a presença das cabeças dos quatro animais de poder, símbolos dos elementos primordiais; assim se universaliza a abrangência da mensagem desta carta. Podem, em alternativa, surgir querubins. Em baralhos ancestrais, trata-se antes de uma figura ou figuras que seguram nas mãos um cenário de exterior, encapsulado numa forma redonda ou oval. Nas versões recentes, mais “alternativas”, são escolhidos diferentes símbolos mais ligados ao ambiente (frequentemente uma árvore) ou referenciando metamorfose (borboleta, por exemplo).
Astrologicamente, o Mundo /Universo corresponde a Saturno, um planeta lento e intenso, pai do Tempo, símbolo das restrições e da sabedoria de uma vida já vivida. A letra hebraica que lhe corresponde é TAU ou TAV, o selo da Criação. O título esotérico da carta: A Grande Unidade da Noite do Tempo. O seu número, 21, pode ser entendido como o inverso do 12 e, nessa medida, lembrar que, se o 12 é par e representa uma situação equilibrada que resulta da organização harmoniosa dos ciclos perpétuos, o 21 é ímpar e representará o esforço dinâmico da individualidade, que se vai elaborando na luta dos opostos e renovando no caminho dos ciclos evolutivos. Pode ser também considerado um número simbólico da perfeição, por corresponder a 3X7.

Na semana que entra teremos de resolver os assuntos pendentes que nos entravam o avanço. Nada começa bem quando deixa para trás situações inacabadas ou mal resolvidas. Eis então o primeiro foco para as nossas energias: concluir.
Mas este é também um tempo carregado de possibilidades de evolução transformadora. Estamos em posição de ver o caminho que se segue e lhe definir metas ou contornos. Se conseguirmos terminar o que falta e retirar do passado que se conclui as devidas conclusões, estaremos mais conscientes e confiantes para nos lançarmos numa nova empreitada. Para os muitos que poderão estar a regressar ao trabalho nesta semana, pelo fim do período estival de férias no hemisfério Norte, isto fará certamente sentido.
Arrumemos a “casa”. Rematemos pontas soltas. Preparemo-nos para o que vem, confiantes e seguros.

Imagem : Tarot Soprafino, da Carlo Dellarocca (1835)

Clara Days

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