Por Clara Days:
Palavras-chave: ordem; autoridade; regulação; concretização.

Ele representa o universo do concreto, material e sólido. É o Princípio Masculino, na sua acepção filosófica: social, concretizador, activo, dominando a natureza pela sua vontade e intervenção. Enquanto a Imperatriz simboliza o natural, o nosso lado inconsciente, a relação primária e criadora com a matéria e com os outros, o Imperador procura ajeitar o mundo à sua vontade, representando o lado social, regulador, transformador do concreto.
Com o Imperador vêm as leis, os códigos, o domínio pela razão, referidos à nossa faceta cidadã, como indivíduos culturalmente responsáveis. Domina pela lógica e pela vontade, não propriamente pela força. No entanto, assume o seu papel de autoridade, com a correspondente responsabilidade.
No limite, é controlador, reprimindo desvios à ordem pré-estabelecida. Pode também ser frio e calculista.
Mas é importante que compreendamos que Imperador e Imperatriz são um conjunto indissociável, e que um, sem o outro, resulta em desequilíbrio. Tal como os hemisférios direito e esquerdo do nosso cérebro: a Imperatriz será o direito, flexível, imaginativo, subjectivo, o mundo da possibilidade; o Imperador representará o esquerdo, sistemático, lógico, objectivo, o mundo da razão. Do conjunto se faz o ser vivo e pensante, intuitivo, social e interactivo, que somos.
Ele é o Pater clássico, o que regula e impõe, por direito. Do Imperador emana autoridade, segurança e solidez.
A energia deste arcano faz-nos questionar até que ponto somos senhores da nossa vida, definindo objectivos e concretizando os nossos propósitos. A sua força vem da razão, mas aplicada para fora. Há sempre um apelo à ligação entre o que queremos e o que fazemos, uma necessidade de expressão concreta da vontade e de controle. Vai da lógica do pensamento à ordem no mundo exterior. É como que um desejo de previsibilidade, duma segurança que não dá espaço a surpresas ou mudanças de rumo. Se o improvável acontecer, a razão e a lei impor-se-ão.

As representações das cartas mostram-nos um chefe reinante, por vezes guerreiro, mas numa pose de poder e autoridade. Há todo um conjunto de elementos que podem surgir e reforçar a importância do seu cargo: coroa, trono, escudo, bastão / ceptro, globo. É frequente a representação de símbolos heráldicos, como a águia imperial ou o leão. É frequentemente representado de perfil, com a face esquerda virada para o observador. Alguns baralhos mais recentes usam sistemas de símbolos diferentes, para mostrar ou reforçar a sua figura de autoridade.
O Imperador é associado astrologicamente ao signo de Carneiro, regido por Marte, da afirmação pessoal, fogoso e impetuoso. A letra hebraica que lhe corresponde é TZADDI ou TZADIK, a Fé do Justo. O seu número, quatro, representa o sólido e o tangível, a estabilidade. O título esotérico deste Arcano Maior é “O Chefe entre os Poderosos”.

Anuncia-se então uma semana em que seremos impelidos a reflectir sobre o lugar em que estamos em relação ao que queremos para as nossas vidas. Está em questão o concreto, o nosso lugar no trabalho, na família, na comunidade. Como nos posicionamos?
Digamos que a razão predominará e que será pela lógica que procuraremos as respostas para este questionamento pessoal. Cuidado com a frieza que possa surgir, ao tomar decisões: podemos magoar outros ou corremos o risco de asfixiar os nossos próprios sentimentos, esquecendo a sua importância e menosprezando consequências a esse nível.
É provável que nos sintamos mais seguros e determinados. Pode ser agora um tempo bom para assumirmos responsabilidades, para tomarmos a dianteira em projectos que traçámos. A energia que nos inspira está direccionada para decidir e agir, assumindo a responsabilidade pelas consequências dos nossos actos.
Vale a pena exprimir a nossa vontade. Mais importante ainda, vale a pena agir em conformidade.

Imagem: Tarot Visconti (Itália, 1441) – colecção Cary Yale

Clara Days

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