Por Clara Days:

Palavras-chave: fecundidade; natureza; sentidos; forças da vida.

A Imperatriz é a Mãe, o lado físico e fecundo da essência feminina. Está ligada à Terra e às coisas vivas, aos ciclos naturais; tem um papel gerador e protector. Com ela vem uma energia física e concreta, do estar e do fazer. Não anuncia processos intelectuais ou excursões metafísicas, antes nos enraíza no lado mais simples e natural da vida.
Ela é Vénus, Gaia, a Grande Mãe. Sensual, na acepção de estar ligada aos sentidos, mas sobretudo maternal. Representa o Princípio Feminino Manifestado, as forças da vida que se reproduzem, a fecundidade em todos os planos. Está conectada com o corpo e com os instintos, vive no mundo sensorial.
É a matriarca, assumindo uma liderança protectora. Só parte para a violência na defesa dos que estão ao seu encargo, porque o seu estar é pacífico e cuidador. Conectada com os ciclos naturais, todos os seres vivos são importantes para ela, a sua energia está profundamente enraizada na natureza. É a Mulher que se entrega ao Mundo, os frutos do seu amor preenchem a Terra.

Nas imagens das cartas surge geralmente coroada, ou com flores ou estrelas no cabelo, sentada num trono e em pose reinante, como complemento feminino do Imperador. No entanto, o cenário que lhe é atribuído costuma ser florido ou com frutos ou espigas, um espaço aberto e natural. No escudo que a acompanha, está frequentemente representado o símbolo do feminino (ou do planeta Vénus): neste, vemos a cruz da matéria, encimada pelo círculo do espírito. Pode ter na mão a flor de lótus, que representa, na mitologia egípcia, o poder feminino de Ísis, e podem surgir no enquadramento as aves de Vénus, a pomba ou o pardal. Acontece surgiram abelhas ou borboletas, seja como animais, seja na decoração das suas vestes. Formas helicoidais são também comuns. É frequente ainda o recurso a outros símbolos de maternidade protectora, como a flor-de-lis (procriação) ou a fêmea de pelicano que alimenta as crias com a sua própria carne. Também é comum a presença do crescente da Lua, símbolo de feminilidade.
Astrologicamente, está associada a Vénus, planeta regente do amor, da alegria e do prazer, símbolo da atracção entre o seres. O seu número 3 é fruto da união do 1 com o 2, passando a ideia de frutificação e de síntese desses dois componentes. A letra hebraica que lhe corresponde é DALETH, a porta. O seu título esotérico: “A Filha dos Poderosos Uns”.

Liguemo-nos então à Terra, durante esta semana. Tentemos ultrapassar os turbilhões do espírito conectando-nos com o nosso lado natural e instintivo. É tempo de dar voz ao corpo e aos sentidos, de nos focarmos no lado físico da nossa existência.
A Imperatriz inspira-nos para sentir, mais do que pensar. Para agir, mais do que ponderar. Ela transporta-nos para um modo natural, pede que dediquemos o nosso tempo ao bem-estar, nosso e dos que nos rodeiam. Inspira-nos para sermos interventivos e criativos, para sentirmos amor.
É como se nos fosse dito que as coisas estão seguindo o seu curso e que a nossa relação com a evolução dos acontecimentos nos deve permitir deixar correr, encontrando forças e defesas numa atitude participativa em relação ao ambiente. É importante que sejamos capazes de criar um ambiente aprazível, apesar de tudo. Não está na nossa mão determinar o curso da vida, mas está na nossa mão viver de modo mais prazeroso, focando-nos no nosso lado mais natural.
Cuidemos de nós, cuidemos dos outros.

Imagem : Tarot de Morgan Greer, 1979
Clara Days

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