Por Clara Days

Palavras-chave: natureza; sentidos; bem-estar; partilha

Ei-la que volta, a Mãe-Terra do Tarot, para nos acompanhar na aproximação do solstício que virá no dia 21.
Cada solstício é um ponto de viragem nos ciclos naturais, um pico em que a alternância dos dias e das noites inverte na duração de tempo entre uns e as outras. No hemisfério Norte, na Europa, celebra-se o renascimento do Sol, o Sol Invictus, como os romanos lhe chamaram. Associam-se a esta transição astral festividades ancestrais que vão dos povos mais primitivos às grandes religiões. Para muitos, é Natal, a cristianização dos múltiplos rituais pagãos desta data celeste: celebram-se assim, em associação, o nascimento e a Luz.
Viver com a Imperatriz, neste contexto, é viver simultaneamente a sua dimensão fecunda e afectiva com a sua ligação aos ciclos anuais da natureza. Para uns virá o Inverno, para outros o Verão. O Inverno é a morte aparente, que oculta gestações ainda invisíveis; o Verão é a maturação dos frutos, dádivas de alimento e bem-estar. A Imperatriz é ambos: a gestação e a criação, esta última no sentido dos cuidados maternais. No Tarot de Osho Zen, ela chama-se Criatividade.

Já sabemos que as imagens das cartas tradicionais a representam como figura régia associada a cenários naturais. Dediquemo-nos hoje a falar de outras simbologias visuais, pois os tempos contemporâneos trazem-nos representações de Tarot muito eclécticas e algumas bastante originais. O mais transversal é a sua representação como figura feminina onde o volume dos seios e o ventre saliente acentuam a dimensão fecunda. Ela é a grávida no seu esplendor, acompanhada de flores, frutos e espigas maduras. Ninhos, ovos, borboletas, lebres ou outros animais que simboizam maturação e fecundidade podam acompanhá-la. As flores e os frutos podem ser também simbólicos, como, por exemplo, a flor de lótus, símbolo da deusa Ísis na mitologia egípcia, ou a romã, cuja multiplicidade de sementes representa grande fertilidade. Animais domésticos podem acompanhá-la, em poses dóceis ou preguiçosas. Mas a figura humana pode estar ausente da imagem, e, aí, surgem os símbolos animais ou vegetais já referidos, além do ícone que representa o feminino e o planeta Vénus. Ela pode ser uma árvore imponente ou uma borboleta que poisa numa flor.
Astrologicamente, a Imperatriz é Vénus, da alegria e do prazer, símbolo da atracção entre o seres. O seu número 3 é, antes de mais, o fruto da união do 1 com o 2, passando a ideia de frutificação e de síntese da acção dos anteriores. A letra hebraica que lhe corresponde é DALETH, a porta, ou a porta do céu. O seu título esotérico: “A Filha dos Poderosos Uns”.

Como vivenciar esta Imperatriz, na semana que hoje começa? Ela é mentalmente descomplicada e naturalmente generosa, carinhosa e cuidadora. Está permanentemente conectada com a existência física e os ciclos naturais – a Imperatriz é o bem-estar.
Preparemo-nos para o solstício que se aproxima em paz connosco e dedicados a promover, para nós e para os outros, um ambiente de paz e conforto, um bem-estar carinhoso. Sem elaborações mentais inquietantes nem complicações, vivamos procurando a alegria, que pode ser encontrada nas mais pequeninas coisas.
A alegria é uma janela de onde se pode avistar a felicidade…

Imagem : Fantastic Menagerie Tarot, baseado nas ilustrações de J.J. Grandville (França, séc. XIX) – editado em 2006

Clara Days