Palavras-chave: ruptura; transformação; metamorfose; renovação.

A Morte é o fim necessário, para que um novo começo possa desabrochar. Representa a necessidade de ruptura com uma situação que já provou não ter futuro, pois só com esse acto de conclusão se ganha o espaço necessário para poder recomeçar.
A ciência, desde o tempo de Lavoisier, já nos provou como “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. O ciclo da vida mostra-nos como a morte é uma parte indispensável do seu processo de manutenção – os seres vivos só sobrevivem porque outros morrem, e todos entram neste processo. É este o conceito que explica do modo mais simples e natural a Morte do Tarot: como uma transformação necessária, que precisa de ser radical para se efectivar.
Mas a carta assusta sempre um tanto, mesmo quando lhe conhecemos o significado progressista. Quando a Morte vem inspirar os nossos dias, alguma coisa terá de ser largada, para não voltar, antes ser substituída por outra, que pode nem sequer ser da mesma categoria. Todos nós tendemos a recear o desconhecido, e por isso deixamos arrastar situações que já não são confortáveis, que já não nos dão prazer ou podem estar a ser efectivamente destrutivas. A não ser que as circunstâncias da vida nos provoquem uma mudança radical, há sempre um desfasamento temporal entre o momento em que, instintivamente, já compreendemos que não há futuro para uma dada situação, e aquele em que tomamos a atitude de romper com ela. A energia da Morte inspira esse processo, indispensável para uma renovação das nossas circunstâncias.
O Tarot de Osho-Zen chama a este Arcano Maior “A Transformação”, outros designam-no como Imortalidade ou Fim.

Nos baralhos de Tarot ela tem o número do “azar” (13) e foi durante vários séculos a “Inominável” – a sua designação não era sequer escrita, por superstição. Para a representar recorreu-se ao imaginário das imagens medievais da “ceifeira da vida”, o esqueleto, encapuçado ou não, com uma foice de cabo longo que, a pé ou a cavalo, decepava corpos, arrancando cabeças ou mutilando, sem dó nem piedade. Mas os baralhos mais recentes, desde há algumas décadas, tendem a descolar-se desse cenário tão macabro e a procurar novas simbologias, mais consentâneas com o conceito de metamorfose que a carta simboliza: embora ainda haja esqueletos ou caveiras, são acompanhados por símbolos como a rosa-cruz de origem maçónica ou a simples rosa, branca ou vermelha, o escorpião, a serpente, o corvo, a pomba, ou aparecem retratadas situações onde os vivos são protagonistas, ainda que lidando com a morte, como em rituais fúnebres. Há ainda as cartas que representam mais literalmente a ideia de metamorfose, usando símbolos como a borboleta ou representando crianças.
O Arcano Maior 13 está associado astrologicamente a Escorpião, signo fixo de água, das pulsões. O número 13, para os cabalistas, representa regeneração espiritual. A letra hebraica que corresponde à Morte é NUN, o Messias, herdeiro do trono. O seu título esotérico: “O filho dos Grandes Transformadores” ou “O Senhor dos Portais da Morte”.

Entramos nesta semana inspirados por uma energia de transformação e renovação. Mas não podemos esquecer que esse processo tem de começar pela destruição do que já não serve, pois só assim pode haver uma regeneração efectiva. Aquilo que está a minar a nossa vida precisa de terminar, e temos de ter a vontade e a força para o fazer.
É tempo de sermos honestos para connosco e não “olharmos para o lado” em relação ao que nos provoca desconforto ou sofrimento. Isso precisa de mudar e o processo de mudança não pode ser deixado ao acaso, tem de partir de nós.
Algo terá que terminar, para abrir caminho ao que precisa de começar. Deitemos fora o que está velho ou já não serve, limpemos a nossa casa, limpemos a nossa vida. Esse é o passo certo na direcção da mudança para melhor que desejamos e merecemos.

Imagem : Tarot of the Sevenfold Mystery, de Robert M. Place, 2012

Clara Days