Por Clara Days:
Palavras-chave: meta; síntese final; conclusão; alcance.

O Mundo, também designado frequentemente como Universo, traz-nos a possibilidade da conclusão esclarecida, quando podemos olhar para trás, mas a partir de um patamar que nos permite distinguir o essencial do acessório e, sem a distracção dos pormenores, fazer uma verdadeira síntese conclusiva.
Anuncia-se um fim de ciclo. Muitas vezes, partimos para a nova etapa sem a necessária preparação, orientados para o que temos pela frente, mas sem olhar para o que já

passou com olhos de aprender. Agindo assim, não há uma verdadeira evolução e repetiremos padrões de comportamento que nos manterão amarrados aos mesmos preconceitos, cometendo erros por darmos o mesmo tipo de resposta, perante situações que mereceriam uma nova leitura e reacções diferentes.
Com o Mundo, o que nos é pedido é que sejamos capazes de reflectir no que se passou até agora de modo a que, para além de retirar lições, saibamos integrar o que alcançámos, como base para um reinício num nível mais elevado, como em espiral ascendente. A vida evolui, e isso presume que cada nova etapa que passa se pode desenvolver com mais consciência e sabedoria. Esse deverá ser o nosso verdadeiro propósito.
O Mundo / Universo representa a Síntese Final de qualquer processo cíclico, condição necessária para que haja crescimento e aprofundamento, na nossa vida. O Tarot de Osho Zen chama a esta carta Conclusão (Completion), no Tarot Egípcio é a Transmutação.

A imagem que se consolidou, para representar este Arcano Maior 21, desde o séc. XVII, é a de uma mulher jovem, envolta numa écharpe, em pose dinâmica (como que dançando), enquadrada por uma grinalda de folhas ou flores, que podem ocasionalmente ser substituídas pela serpente enrolada sobre si, o “ouroboros”(que simboliza a evolução cíclica). Fora da grinalda há frequentemente a figuração das quatro “bestas” representativas dos quatro elementos / naipes: Touro / Terra / Discos; Leão / Fogo / Bastões; Águia / Água / Copas; Anjo / Ar / Espadas. Mais recentemente, há o recurso a simbologias de diferentes origens filosóficas ou religiosas, como a sua associação à Árvore da Vida ou árvore Bodhi, do budismo, que alude à figueira-dos-pagodes (Ficus religiosa) sob a qual Buda meditou e alcançou a iluminação, em Bodigaia, na Índia. Diferentes símbolos de transmutação podem ser encontrados, como o escaravelho sagrado egípcio ou a borboleta. Há também, por vezes, alusões visuais aos signos do zodíaco ocidental.
O Mundo / Universo corresponde astrologicamente a Saturno, deus-pai do Tempo, planeta das transformações lentas e profundas. A letra hebraica que lhe corresponde é TAU ou TAV, o selo da Criação. O número 21, na numerologia cabalística, representa realização, triunfo e mudanças definitivas. Título esotérico desta carta: A Grande Unidade da Noite do Tempo.

Na semana que entra, precisamos de concluir o que precisa de ser terminado, mas de um modo sério e cuidadoso. As pontas soltas precisam de ser rematadas e não simplesmente cortadas ou deixadas ao acaso. Isso é indispensável para podermos progredir para novos projectos ou demandas pessoais.
De tudo o que passou, façamos a síntese, retirando as devidas lições. O intuito desta avaliação não é o de procurar glória ou punição, mas sim a consciencialização de uma aprendizagem. Não precisamos de juízos de valor, antes de honestidade perante nós próprios: não interessa se foi bom ou mau, mas que encontremos o que pode vir a ser corrigido ou melhorado, futuramente.
Estamos num tempo de onde pode vir mudança. Está nas nossas mãos fazer com que essa mudança se faça na direcção de um verdadeiro progresso pessoal.

Imagem: Tarot Midcenturian, de Madam Clara, 2016

Clara Days