Energia para a Semana 15-22 Dez: XV O DIABO

Por Clara Days:
Palavras-chave: independência; instinto; tentação; compulsão.

Não me desviem do meu caminho, não me dêem conselhos, deixem-me seguir por onde escolhi. Assumo os riscos e as consequências, só a mim presto contas. É pessoal. 
Sou guiado por forças internas, irracionais, poderosas. Sigo o que me dita o instinto, embora saiba que nem sempre é sensato, que pode ser perigoso. Mas não é a avaliação dos outros que me demove. 
Na verdade, não quero mal a ninguém, é de mim para comigo.
Não servirei. Não me sujeitarei a regras de conveniência. No entanto, sei que estou sempre em risco de me agarrar a soluções que me tornam dependente, não dos outros, mas de comportamentos ou de substâncias. Posso cair na tentação, levado pela onda do individualismo. Infelizmente, não sei pedir ajuda.
Sou forte ou fraco? Eis a verdadeira questão… Será que pago um preço demasiado alto para preservar o meu modo de estar? Deveria tentar contrariar a minha natureza, domesticá-la? Serei capaz?
Estou só, independente, determinado. Posso seguir o instinto sem perder a razão, mas é difícil. Posso tentar. Quero tentar. Mas não posso deixar de ser como sou.

O Diabo é tradicionalmente carta maligna, associada a dependências, à sexualidade. Hoje em dia, ganhou um significado mais aberto, destacando-se a sua independência e capacidade de arriscar. Ele é Lúcifer, o portador da Luz, o anjo caído que desafiou o Criador – e isto pode ser visto como uma característica positiva. Diferentes baralhos atribuem-lhe designações como “Os Condicionamentos” (Osho Zen), “Paixão”, “Natureza”, “Sombra” ou “Dança da Sombra”. Pode ser identificado como Cerumnus
As imagens das cartas, seguindo a tradição, relevam a sua característica de aprisionar os humanos às dependências de que podem ser escravos: um casal desnudo está acorrentado ao “Maligno”, que tem pernas de bode, asas de morcego, garras como mãos. O Diabo não é humano, antes uma aberração da natureza que junta partes de animais. Frequentemente, no baixo ventre, tem desenhada uma segunda cara, por vezes deitando a língua de fora: é a voz das entranhas, a voz do corpo, que a tradição judaico-cristã nos ensina a combater e calar. 
Recentemente, há imagens que o apresentam como Pã, o deus livre e irreverente das florestas, ou como um sacerdote primitivo, coberto com pele de um animal, ou adornado com cornos de veado, no desempenho de um ritual. Símbolos mais ou menos satânicos, como a estrela de cinco pontas invertida, podem estar presentes. Mas também símbolos de espiritualidade elevada, como o “terceiro olho”, na testa, porta de entrada para a percepção extra-sensorial. Aparece o Caduceu (bastão alado com duas serpentes enroladas sobre si), uvas, ou chifres de forma helicoidal (símbolo da força geradora). Pode ser identificado como Cernunnos, o deus mais antigo da mitologia celta, que controla a natureza e a fertilidade.
A letra hebraica que corresponde ao Diabo é AYIN, o Olho, como fonte do carácter. O número 15 é a soma dos cinco primeiros números (1+2+3+4+5 = 15), e pode ser assim um “grande cinco”, assumindo a respectiva ambivalência. Títulos esotéricos do Arcano Maior 5: “Senhor das Portas da Matéria” ou “Filho das Forças do Tempo”.
O Diabo corresponde ao signo de Capricórnio, onde o Sol entrará no fim desta semana, no dia 22. Capricórnio é o princípio do Inverno (a astrologia nasceu no hemisfério Norte…), quando a natureza parece morrer, mas mantém a vida pulsando, em crescimento interno. Signo de Terra, representa a estrutura, a ordem. É a “eminência parda” do Zodíaco, aquele que organiza ou comanda, mas que se afasta do brilho das luzes, mantendo-se por trás, nos bastidores.

Nesta semana, somos inspirados para arriscar seguir o nosso instinto, mesmo que nos leve para situações mais complicadas, ou desconfortáveis. É um apelo à independência, nas ideias e nas decisões. Estaremos impermeáveis aos “diz que disse” das opiniões alheias, à crítica negativa, porque nos sentiremos seguros e determinados
No entanto, é preciso ter consciência de que, se correr mal, as consequências cairão sobre cada um, isolado. Este é o preço do nosso comportamento individualista. Para o bem, ou para o mal, teremos que estar preparados para aceitar a reacção às nossas decisões e acções, e enfrentá-la solitários.
A liberdade é um risco que vale a pena correr. A voz do instinto costuma acertar. Por uma vez que seja, sigamos o caminho que intuímos ser o mais certo, para a nossa vida pessoal. Para o que der e vier.

Imagem: Tarot Star, de Cathy McClelland, 2017

Clara Days

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