Energias para a Semana 21-28/5/23: A FORÇA / ENTUSIASMO VIII / XI E O DIABO XV

Por Clara Days:

Ideias-chave: instinto e controle; seguir os impulsos, dominar a fera que há em mim; entre a compulsão e a razão.

Na companhia do Diabo e da Força, a voz do instinto vai fazer-se ouvir com mais força do que o costume, por estes dias. Até que ponto vou segui-la por impulso, ou decidir controlar-lhe os acessos, aí é que estará o problema.

Com o Diabo em cena, há um lado rebelde e temerário que precisa de se soltar. Ele é libertário por natureza, capaz de transgredir e arriscar, guiado apenas pela força dos seus impulsos irracionais. Não segue padrões formais nem tem chefe ou mestre, é individualista e independente. No entanto, o que decide e faz só a dele diz respeito, ninguém mais sai prejudicado. Assim, assume as suas decisões e aceita as consequências, mesmo quando são de maior monta, pois é dado a deixar-se levar por compulsões e pode cometer excessos de carácter auto-destrutivo.

O nosso Louco Peregrino anda, pois, a correr riscos, que não sabe calcular. Vem em seu auxílio, desta vez, a Força, também designada justamente como Entusiasmo, que lida com o mesmo instinto de um modo diferente: ela consegue controlar-lhe os excessos pela racionalidade, potenciando o que há de positivo mas mantendo dominado o animal feroz que trazemos em nós. Isto é, com a influência da Força / Entusiasmo, eu considero e respeito a minha natureza mais espontânea, mas mantenho as suas manifestações dentro de padrões de conduta socialmente aceitáveis, pelo auto-domínio.

Falemos então dos instintos, usados para explicar tanta coisa, para o bem e para o mal. Eles existem nos animeis para preservar a vida e conservar as espécies, desde o instinto de sobrevivência ao maternal. Os instintos levam-nos a ter reacções espontâneas perante situações ou estímulos que percebemos como perigosos, mas também nos encaminham para os outros na perspectiva da continuidade, como o instinto sexual ou o gregário. Carregamo-los no nosso material genético, embora o comportamento humano seja condicionado também por todo um percurso biológico e histórico de aprendizagem social que introduz a vontade para os controlar.

A Força e o Diabo são, precisamente, os dois Arcanos Maiores que dedicam a sua representação simbólica ao nosso instinto. A tradição da cultura judaico-cristã faz com que sejamos condicionados, pela educação, no sentido de os controlar, considerando a maioria dos comportamentos instintivos como pecaminosos. Segundo essa linha de pensamento, diremos que o Diabo é a representação do “mal”, mostrando-nos um instinto que nos leva a comportamentos individualistas de risco, à rebeldia social ou mesmo às adicções. A Força, por seu lado, é-nos apresentada como “virtuosa”, pois representa o domínio dos instintos pela razão e pela vontade.

Desta vez eles vêm juntos, Diabo e Força. Vêm lembrar-nos que devemos ouvir a voz invisível do nosso instinto e saber segui-la sempre que é preciso, mesmo que isso possa acarretar problemas que só nos afectem a nós. Mas podemos também dominar os impulsos que consideremos terem consequências com que não queremos lidar. Navegaremos entre “pecado” e “virtude”, tendo ao leme a nossa consciência.

Imagem : The Fantastic Myths and Legends Tarot, de JS Moore, Janka Latečková, Dwinanto Prayoga + dois autores, 2020

Clara Days

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