Por Clara Days:
Ideias-chave: renovo-me e redimo as falhas; largar o velho, integrar a aprendizagem, mudar; fim dum ciclo cármico.
A Morte continua a pairar, símbolo radical da necessidade de mudança, desta vez numa fase mais profunda, pois vem acompanhada pelo Julgamento / Eão. A dinâmica entre o que tem que acabar e o que vai começar ganha uma dimensão mais espiritual, correspondendo a um estado de consciência mais elevado. Vejamos, então:
Na semana passada, tivemos a Morte com o Eremita, forçando uma busca sistemática de compreensão dos motivos dos nossos comportamentos. Este processo de auto-análise permitiu-nos, se o conseguimos fazer, encontrar os elementos que necessitam de ser mudados e substituídos, pelo processo renovador do Arcano Treze. O mais importante significado da Morte radica na necessidade de largar o que já não serve, ganhando espaço para a novidade que se aproxima. Este processo permanente mudança é a mais importante lei da natureza: toda a vida se alimenta de morte, para poder continuar.
Mas se, com o Eremita, nos focámos nos detalhes, numa revisão paciente, um por um, chega agora o momento de retirar conclusões e nos elevarmos na direcção da redenção. Isto vem com a força do Julgamento, que nos permite avaliar, corrigir ou perdoar. Sejamos justos e generosos para com os nossos erros, não para os negar, mas para os aceitar e saber ultrapassar. Demos a nós próprios o benefício que daríamos a outra pessoa, em idênticas circunstâncias. De tudo o que o Eremita nos ajudou a analisar, retiremos sobretudo as lições, para mudar de patamar.
A Morte e o Julgamento, juntos, permitem um acesso à mudança a um nível muito mais profundo. Curiosamente, se à Morte corresponde na Astrologia o signo de Escorpião, ao Julgamento é o planeta Plutão, regente desse mesmo signo, ou também o elemento Fogo. A ideia de regeneração, de transformação interior e profunda, está subjacente nestas energias. Parece, pois, chegado o tempo da verdadeira mudança, de dentro para fora e em direcção ascendente, se tivermos em consideração o patamar de consciência para que podemos elevar-nos.
Não nos deixemos iludir: usando de justiça e compaixão para connosco, façamos a revisão da mais recente etapa da nossa vida e caminhemos em direcção a um futuro onde os erros sejam corrigidos e tudo o que precisa de ser renovado seja mudado. Usemos de toda a honestidade e respeitemos os nossos princípios e valores, à luz dos quais nos podemos nortear. Não nos apeguemos ao que já não serve, não retomemos caminhos errados, agora que sabemos que o são. Se cada um fizer o seu papel, cuidando da sua parte, talvez que o todo resulte em melhor para todos, também.
Imagem : Meraki Tarot (2ª edição), de Natalie Meraki, 2022

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