Um eclipse para fechar ciclos

Da exaltação à análise, da criatividade à contabilidade, do ego para o serviço, da espontaneidade à cautela, do Fogo para a Terra, as energias mudam esta semana com o Sol e Mercúrio a sair do signo do Leão e a entrarem em Virgem. A informação, comunicação, análise dos dados, os orçamentos domésticos e nacionais, preparativos de organização e até as rotinas são alguns dos temas que entram em foco nesta última semana de Agosto. A tensão é crescente até sexta feira dia 28, dia de um eclipse da Lua com vários aspectos complexos e por isso não há que ter pressa, apenas estar atento para não precipitar o que não se quer.

Como pano de fundo temos toda a semana a necessidade de tomar uma nova consciência de nós próprios, dos hábitos e obsessões e dos receios inconscientes que se manifestam de formas críticas. Há coisas a mudar e a Lua Cheia e eclipse terão um papel nisso até que terminem no sábado os quincúncios de Sol e Mercúrio, a Plutão em Aquário. Estamos a construir o “herói” ou “heroína” que sonhamos ser, abertos à inovação e a novas formas de comunicação, a contribuir para uma nova realidade política e social – por orientação dos sextis de Neptuno em Carneiro a Urano em Gémeos e a Plutão em Aquário: um apelo às metamorfoses possíveis, individuais e colectivas.

A Lua vai pontuando as emoções… na segunda feira o sentimento é de restrição, limites e responsabilidades, a necessidade de auto-disciplina… a frustração vem da quadratura a Saturno em Carneiro acompanhada da necessidade de respeitar o equilíbrio das relações por outra quadratura a Vénus em Balança. No final da semana passada Vénus esteve oposta a Saturno e a frieza emocional gelou relações. A Lua em Capricórnio na segunda feira, vem procurar re-estabelecer uma estrutura emocional que permita estar com os outros noutro pé.

Terça-feira, as emoções são intensas e mexem com o nosso sentido de pertença ao colectivo: a Lua está em conjunção a Plutão em Aquário. Necessidades emocionais e responsabilidade prática estão também em jogo pelo quincúncio da Lua ao Sol e há que encontrar terceiras vias pelo trígono a Urano, que alimentem o melhor que há em nós – pelo sextil a Neptuno.

Reconhecimento versus liberdade, optimismo versus distanciamento são as oscilações que vêm, na quarta, com a oposição da Lua a Júpiter em Leão. E chegamos a quinta feira, dia em que a Lua faz conjunção ao Nódulo Norte em Aquário, e somos talvez capazes, apesar das hesitações, de aderir a um projecto maior, alinhados com a tendência geral, sem perder a individualidade. A contribuir para um novo discurso temos na quarta feira o cazimi de Mercúrio ao Sol . São novas ideias, clareza, interpretação lógica, óptima altura para tomar decisões e as comunicar.

Este alinhamento e precisão tem consequências e elas vêm na sexta feira, com o eclipse da Lua já em Peixes. Esta Lua Cheia oposta ao Sol em Virgem, activa também uma quadratura a Urano ao qual Sol e Mercúrio também estão em quadratura. E Marte, em transito em Caranguejo que a Lua rege, está em aspecto de quadratura tanto a Neptuno como a Saturno em Carneiro….O que é que chega a um clímax que tenha começado no eclipse do Sol do último 12 de Agosto?

Trata-se do último eclipse da série no eixo Virgem Peixes que começou em Setembro de 2024. O que é que temos em curso desde então que possa agora chegar a um fim? Como relacionamos este período de 2024/2026 com o período 1987/1989 ou com o período 1997/ 1998 em que os eclipses também ocorreram no mesmo eixo?

Os Antigos recomendavam recolhimento para os dias de eclipse -para que, na escuridão do eclipse , se fizesse Luz sobre o que é de facto relevante. Dada toda a agitação astrológica do eclipse desta semana pode não ser fácil esse recolhimento mas será certamente possível entender o está a – ou tem de – acabar – em processos que se arrastam, relacionados com Marte em Caranguejo, tais como obras, conflitos domésticos, guerras nacionais. O reconhecimento da urgência de um fim, muitos fins e de espaço mental, de capacidade física, de estratégias geo-políticas para que se abram novas portas, deriva dos vários aspectos no dia do eclipse e dos que se seguem. Desfeitas as quadraturas e o cazimi, a Lua no sábado faz no sábado trígono a Marte o que permite alinhar emoções e acção na prática de eliminação e reformulação a que se segue um trígono de Júpiter a Saturno, exacta no domingo com a Lua conjunta a Neptuno. Já nos rendemos, agora podemos recomeçar, equilibrando criatividade e responsabilidade.

Bom final de Agosto! R.I.

Tela: Quadrado negro de Malevitch

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