Energias para a Semana 30/8-6/7/26: O HIEROFANTE V, O CARRO VII E A LUA XVIII

Por Clara Days:

Ideias-chave: desapego, entre a pertença e a intuição; ideologia, vontade e emoção; a solidão perante a força da crença.

Sem que nos consigamos livrar do peso da influência das ideias e do nosso colectivo de pertença, temos agora de viver o conflito íntimo entre a necessidade de partir à procura do nosso caminho e a inquietação interior que a Lua desperta na nossa noite profunda.

O Hierofante permanece, a pontificar sobre todos: é o guardião, a entidade reguladora da vida pessoal e espiritual na comunidade. Traz sabedoria, mas pede conformidade, radicada em convicções profundas. Apela ao sentimento de pertença, ou, melhor dizendo, a força que ele representa é preço que cada um paga em matéria de liberdade pessoal, para pertencer a um grupo que o acolha e enquadre. Anda há várias semanas a fazer-se sentir, lembrando o peso da ideologia na nossa vida pessoal.

Mas agora aparece o Carro para desafiar essa pertença: vem falar-nos de desapego, de sermos capazes de deixar uma situação e partirmos para outra, sem olhar para trás. Simboliza o momento em que olhamos o espelho e nos dizemos que é altura de seguir em frente, e a vontade de o fazer é aguerrida e corajosa, dá-nos alento e crença na vitória. Com esta vontade, ele leva-nos para novos caminhos, abertos para renovar, desafiar e descobrir novas paragens espirituais ou físicas. Vamos protegidos, no entanto, pois a experiência anterior permite-nos criar uma couraça defensiva para não voltar a cair nos mesmos erros. Ao mesmo tempo que nos move e protege, o Carro pede que equilibremos o que temos dentro com o que está fora e a viagem a que nos propomos é sobretudo de auto-afirmação.

A acompanhar estes dois, mas não menos importante, vem a Lua, que convoca em nós o lado escuro, escondido, que tendemos a ignorar ou até negar, mas que faz parte da nossa essência profunda. A Lua poderá mostrar-nos os nossos medos, muitas vezes relacionados com aspectos da infância, profundamente enraizados na nossa forma de actuar, sem que cheguemos a ter consciência deles. Há uma ligação ao passado neste arcano 18, um passado que prende e nos inibe de expandirmos o melhor de nós. Para que haja uma libertação, um verdadeiro equilíbrio do nosso ser interior, precisamos de encarar esses medos e os aspectos sombrios da nossa pessoa. A Lua ajuda-nos a descobrir os nossos desejos mais íntimos, compreendendo o que é ilusão e discernindo o real com maior clareza.

A influência conjunta destas três energias convoca-nos profundamente em termos pessoais, ao desafiar a nossa pertença ao colectivo de origem, sem nos permitir desligar da ideologia que o impregna. Queremos partir, queremos ter uma visão determinada e positiva do caminho a seguir, mas a nossa sombra vai connosco e não nos deixa esquecer os vestígios que o passado deixou na nossa alma, e que precisamos de saber resolver.

Assim, parece que estes dias que se aproximam podem ser um caminho de desapego muito particular, onde o peso da ideologia, que representa os outros em nós, mais os ecos e cicatrizes que o passado nos imprimiu por dentro, não nos permitem estar despreocupadamente determinados, em busca de novidade. Podemos partir, mas levamos connosco as nossas ideias e os nossos medos, para nos apoiar ou assombrar. Só conseguindo integrar tudo isto podemos ser verdadeiramente independentes e seguir viagem.

Uma boa semana para todos nós!

Imagem : The Brady Tarot, de Emi Brady, 2019

Clara Days

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