Por Clara Days:
Palavras-chave: eliminação; renovação; transformação; metamorfose.
Ancestralmente temida e sem que se lhe escrevesse sequer a designação, a “inominável” tem o número 13, também associado ao azar na tradição europeia. É a Morte, a ceifeira da vida, e no entanto portadora de mensagens de renascimento. Representa, entre os Arcanos Maiores do Tarot, o princípio universal da Transformação.
A energia desta carta traz sempre consigo a necessidade duma profunda mudança, em que algo tem de acabar para que algo novo ganhe espaço para começar.
Actualmente, o entendimento generalizado que se faz do simbolismo desta carta fala da ultrapassagem de uma crise através de mudanças internas libertadoras. A Morte pede que sejamos capazes de questionar e quebrar hábitos, que nos soltemos do apego a situações, pessoas ou objectos que já não nos servem. Só assim poderemos transformar, mudar, metamorfosear a nossa vida para o novo e diferente. Com a Morte vem a perda, mas vem também a abertura para novos caminhos.
Se a analisarmos na perspectiva que interpreta a sucessão dos Arcanos Maiores como a Viajem do Louco (carta zero do Tarot) a Morte vem a seguir ao Dependurado, o tempo suspenso de espera e reflexão, e antes da Temperança (ou Arte) que ensina a moderação e a combinação dos opostos como solução. Entre estas duas etapas, com a Morte, o nosso viajante apercebe-se de que só descartando-se dos velhos hábitos e dos processos que o têm impedido de mudar pode ultrapassar a sua crise pessoal, seguindo caminho.
As representações visuais apresentam a morte como esqueleto, muitas vezes a cavalo, também por vezes como uma figura encapuçada, mas quase sempre empunhando a foice de cabo longo com que vai cortando caminho através de corpos humanos ou partes decepadas deles. Há autores que consideram provável que a alegoria da morte representada como um esqueleto, com a foice, seja original do Tarot; se isto for verdade, trata-se de uma das contribuições fundamentais feitas pelas cartas à iconografia contemporânea, considerando a ampla popularidade desta metáfora macabra. Em algumas soluções gráficas, nomeadamente na versão muito difundida e revisitada de Rider Waite, empunha uma bandeira quadrada, com a figura de uma rosa com cinco pétalas, mostrando a combinação vitoriosa dos elementos quádruplos e quíntuplos que compõem o cosmos. Aí, no cenário, o rio da vida corre pacificamente, o sol brilha. Recentemente, há representações em que se trata de uma mulher bela ou uma figura etérea que parecem renascer, ás vezes elevando-se do seu túmulo.
Astrologicamente, o Arcano Maior 13 está associado a Escorpião, das emoções fortes e subterrâneas, intenso no seu magnetismo. A letra hebraica que se lhe associa é NUN, o Messias, herdeiro do trono. O seu título esotérico: “O filho dos Grandes Transformadores”.
A Morte pede que nos libertemos dos padrões, das relações que nos afundam, das ideias velhas e gastas, enfim, do que já não faça sentido na nossa vida. Esta libertação poderá trazer consigo alguma dor, efectivamente – mas o vazio que fica não é para ser enchido de coisas inúteis ou caducas, antes nos dá o espaço renovador onde podemos renascer, transformados.
Esta semana teremos a inspiração necessária para operar transformação. Assim sejamos capazes de aceitar deixar cair o que já não serve.
Imagem  – Tarot Gringonneur atribuído a Pellegrino Prisciani (séc. XV)

Clara Days

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