Por Clara Days:
Palavras-chave: Vitalidade; auto-domínio; controle; motivação.
Nesta semana temos amanhã a passagem do Equinócio da Primavera (do Outono no hemisfério Sul), que anuncia o início de um novo ano zodiacal. Desde tempos ancestrais que a passagem das estações marca o tempo dos homens, e, neste caso, a Primavera como reinício é a que a astrologia adopta, com a entrada do Sol em Carneiro. Estas transições de calendário celeste são sempre momentos de referência, na interacção de energias que aqui nos interessa.
A Força vem então em força, na semana em que o tempo diurno e nocturno se igualam na perfeição, em todo o planeta – um dos dois dias anuais de perfeito equilíbrio. E esta associação com a carta faz aqui sentido. O Arcano Maior 11 (ou 8, segundo diferentes baralhos) pode representar a busca de entendimento, o equilíbrio, entre o nosso lado animal-instintivo (usando a noite para o simbolizar) e o lado racional-humano (para o dia).
Fala-nos de instinto e razão, como também de auto-controle, um controle suave em que reconhecemos estas nossas facetas diversas sem que uma se sobreponha à outra, e no conjunto nos dêem a motivação para agir activa e construtivamente. É um trabalho de auto-disciplina que nos traz reforço moral, e ao mesmo tempo acorda um entusiasmo de certeza de que temos vitórias ao nosso alcance.
O número 11 é aqui interpretado como arquétipo do equilíbrio. No entanto, Arthur Edward Waite (1910) prefere esse número para a Justiça e escolhe para a Força o 8, visualmente simétrico, que deitado é a lemniscata (símbolo do infinito). Por seu lado, na escola de Alistair Crowley, a partir do seu Livro de Thoth (1944), a designação que se lhe dá é inicialmente Luxúria (Lust), posteriormente substituída por Entusiasmo (tradução do inglês Passion), reforçando a sua faceta de energia impetuosa e o seu potencial vital.
As imagens mostram um ser humano e uma fera, geralmente um grande felino, um leão, em interacção. Nos baralhos mais antigos (séc. XV) a cena tanto nos é apresentada com um homem dominando o animal pela violência, sovando-o com um pau, como com uma mulher que lhe segura sem animosidade a boca aberta, numa pacífica cumplicidade. Esta segunda opção é a que vai predominar de então para cá. Temos então que esta Força é um controle não violento, cúmplice, amigo, da fera pela mulher – uma força muito mais de aceitação mútua do que de imposição, a força do equilíbrio. É bastante frequente, nas imagens, a presença da lemniscata sobre a cabeça da mulher, dando a este seu poder de domínio uma característica universal.
Astrologicamente este Arcano Maior está associado a Leão, regido pelo Sol, signo de expansão, domínio e liderança. A letra hebraica que lhe é associada é TETH, a serpente, a espiral que se interliga. O seu título esotérico: “A Filha da Espada Flamejante” ou “O Senhor do Leão”.
Temos então pela frente dias em que poderemos ser capazes de encontrar o equilíbrio interno certo, ajustando o instinto e a razão, para levar a nossa avante com entusiasmo.
Aproveitemos esta energia para respeitar o nosso corpo, descobrir aquilo que nos dá prazer e nos faz sentir bem, para que possamos sentir-nos cada vez mais leves, firmes e apaixonados pela Vida e pelas escolhas que conscientemente vamos sendo capazes de fazer, a cada dia que passa.
Feliz Primavera! Feliz Outono! Feliz equinócio para todos vós!

Clara Days
Imagem  – A Força – Tarot de Visconti-Sforza (colecção Cary-Yale) – séc. XV

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