Por Clara Days:
Palavras-chave: Mãe-Terra; fertilidade; natureza; forças da vida.
Ela é mais do fazer que do pensar, mais do estar que do ser. A Imperatriz está ligada ao corpo e aos sentidos, ao natural e ao fecundo, à harmonia física. É a Mãe no seu sentido simbólico ou literal – cuidadora, instintiva, aquela que cria e protege.
Todas as coisas naturais e vivas se ligam a esta Imperatriz. Esla está em conexão com os ciclos da natureza, com as plantas, os animais, com tudo o que é terreno e espontâneo. A sua influência benfazeja põe-nos em harmonia com o nosso ser natural, o corpo, os sentidos, as sensações.
A energia que transporta é poderosa. Pede que desliguemos o pensamento lógico e aceitemos o instinto como guia, pede que nos afastemos da correria e comunicação constantes e abrandemos o passo, sintamos o sol, o vento, a chuva, oiçamos o canto dos pássaros, voltemos a um estado mais primitivo e ligado à Terra.
Entendamos os nossos desejos numa perspectiva de reencontro connosco, façamos o que o corpo nos pede. É tempo de acarinhar, de cuidar, tanto dos outros como também de nós. É tempo de estar e sentir, de confiar na ordem natural do universo e em que ela nos levará para caminhos de harmonia.
As representações visuais dos baralhos mais ancestrais incluem sobretudo símbolos de realeza: coroa, manto, ceptro e / ou esfera, um trono, um escudo. No entanto, a serenidade da figura é acolhedora e a presença de elementos naturais foi, ao longo dos tempos, transformando uma imperatriz da realeza numa mãe real, com múltiplos elementos naturais a acompanhá-la, onde ressaltam espigas maduras, flores, aves. É recorrentemente mostrada grávida, numa alusão concreta à maternidade e simbólica de fertilidade. A sua coroa pode ser de flores, folhas ou estrelas, o cenário campestre.
Astrologicamente, a Imperatriz aparece associada ao planeta Vénus, que representa beleza e atracção física. O 3 está ligado ao triângulo, elemento simbólico importante em diferentes correntes filosóficas, mas também o resultado da união de dois que geram um terceiro. A letra hebraica que lhe corresponde é DALETH, a porta. O seu título esotérico: “A Filha dos Poderosos Uns”.
Nesta semana que vem, sintamos a força da Primavera, como está no hemisfério Norte. Na minha terra é tempo de ninhos, de paradas nupciais cantantes, de nascimentos dos mamíferos que precisarão do Verão para se tornarem fortes e sobreviverem. Teremos também a Páscoa, simbólica de renascimento, ligada a passagens religiosas, mas também a rituais de Primavera pagãos – tendo os ovos como principal símbolo.
Esta saída da Imperatriz, para nos inspirar, está ligada a tudo isso.
Será uma semana para nos ligarmos à terra e cuidarmos de nós, como também dos outros. Acordemos os sentidos, abrandemos o frenesim mental, procuremos a harmonia física. É um tempo para valorizarmos a dimensão do estar – sentir, conviver, comer, dormir, rir…
Temos dias amáveis pela frente; sintonizemos a nossa energia com eles.
Imagem 1 – Tarot Dellarocca (Itália, séc. XIX)

Clara Days

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