Por Clara Days:
Palavras-chave: vontade; renovação; avanço; desapego.
Para esta semana temos a energia do desapego. Conseguirmos deixar o que nos prende, largar amarras, seguir em frente rumo ao novo, eis o que isto implica. Praticar o desapego é ser capaz de deixar para trás o que já não nos serve, partir para outra sem remorso, ultrapassar as dificuldades passadas pelo afastamento. No entanto, o Carro chama a nossa atenção para a acção, sim, mas para uma acção controlada, dirigida e não evasiva. Pede autocontrole, domínio e não deriva.
Se considerarmos a sequência dos Arcanos Maiores do Tarot como um caminho de auto-conhecimento de cada um, o Arcano 7 representa o início da viagem consciente, onde o peregrino tenta comandar o veículo que o leva, mas consciente da sua dualidade, do corpo e mente, do consciente e subconsciente, da passividade e da acção, tentanto manter o carro equilibrado na sua rota. Representa o princípio dinâmico que nos impele a seguir em frente, mas pede que sejamos capazes de discernir se o rumo que escolhemos é compatível com o nosso eu interior.
Quando surge o Carro, há uma decisão solitária implícita, é um caminho pessoal, metafórico ou real. Ainda que pareça que viajamos em companhia, há uma convicção íntima que não deve passar pelos outros, porque é de nós para connosco. Este processo leva a que muitas vezes criemos uma carapaça de protecção, uma personalidade experior que nos proteje, a que mostramos para fora. Pode ser necessária para a auto-preservação, mas carrega o risco de que acabemos por confundir quem na realidade somos, a nossa verdade mais íntima e verdadeira, com a carapaça que mostramos, a personagem que criámos para nos proteger.
As imagens que as cartas de diferentes épocas nos mostram incluem sempre um carro, o seu condutor e os animais que o puxam. O condutor é apresentado normalmente como um guerreiro armado, uma figura real, mas os animais podem ir da dupla de cavalos mais verosímil a criaturas fantásticas ou mitológicas, muito frequentemente esfinges (tal como o Tarot de Rider-Waite escolhe, em 1910). A armadura que protege a personagem pode ser quase nada ou uma carapaça total que oculta corpo e rosto, vendo-se apenas o metal com forma humana. É frequente que sinais de realeza ou poder sejam ostentados, como um bastão ou escudo ilustrado. Mas devemos também dar a devida atenção aos animais que puxam o veículo, e cujo número é variável, mas geralmente de dois ou quatro. Na maioria dos casos representam duas possibilidades, dois caminhos, duas versões, pois são diferentes na cor (preto e branco, mais frequentemente) e na direcção do olhar, como se apontassem para rumos opostos, ou pelo menos diferentes. O curioso é que não se sente tensão na condução do guerreiro, por vezes nem tem rédeas na mão: ele parece ter o rumo controlado pela mente e não pela força física, ainda que os animais possam apontar direcções distintas. É um caminho que parece impor-se sem questionamento, o guerreiro controla o seu carro.
O Carro é associado em astrologia a Caranguejo, signo de água regido pela Lua, o que nos pode fazer pensar, pois a mensagem da carta parece muito clara e pública e o signo em questão tem uma ligação matricial ao interno, ao subconsciente, ao sentimento. Na numerologia pitagórica, o 7 é um numero de grande espiritualidade (os sete dias da semana, as sete cores do arco-íris…), um número de perfeição. A letra hebraica que corresponde à energia do Carro é CHETH ou CHET, a dinâmica do movimento de ir e voltar. O seu título esotérico: “O Senhor do Triunfo da Luz”.
O Carro propõe um rumo novo à nossa vida, e caberá a cada um decidir se o aproveita ou não. Esta semana, poderemos ter uma oportunidade especial, ou apenas uma vontade que nos impele a mudar, a avançar.
Mantenhamos em mente que o nosso percurso pessoal não é o mero produto das circunstâncias, mas o resultado das respostas que damos, conscientemente, a essas circunstâncias.
A proposta é simples: vamos olhar o espelho e avaliar genuinamente onde estamos, ver o que já não serve, agradecer por ter estado na nossa vida e deixar ir, largar, desapegar.
Imagem  – Tarot Gringonneur ou Charles IV (1455)

Clara Days

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