Por Clara Days:
Palavras-chave: ruptura; revolução; destruição; libertação.
A Torre, também vulgarmente chamada Torre Fulminada, representa entre os Arcanos Maiores do Tarot o princípio da Destruição. Olhar para a carta sem temor é o grande desafio que nos é proposto. E no entanto, nas baralhos mais antigos, o seu nome parecia providencial: a Casa de Deus. Esta Destruição, que no caso está associada ao fogo do raio celeste que a provoca, alude ao ponto máximo de tensão interna que pode existir num sistema, o que leva a que a sua estrutura se destrua, para encontrar um novo equilíbrio.
Como vê-la como um elemento positivo? Aceitando, antes de mais, o seu papel libertador e revolucionário. Quando a Torre surge, é-nos explicado que podem vir mudanças súbitas e radicais para a nossa vida, mas não que o resultado será necessariamente negativo para a nossa pessoa.
A vida organizada que levamos, as rotinas mecanizadas que criamos, são um escudo protector para a inconstância e a mudança, princípios naturais da existência. A ordem que nos é imposta, ou que nos impomos, parece ser protectora, até ao ponto em que se torna sufocante. São esses os muros da torre. Dentro deles escondemos inseguranças, medos, a falta de coragem para correr riscos. Preferimos o desconforto de estarmos prisioneiros das nossas escolhas à vertigem do desconhecido da libertação.
Mas a vida impõe-se e vem de súbito um factor externo, poderoso, imparável, que faz desmoronar os nossos muros. É um “salve-se quem puder”, um mergulho de fuga, tão assustador quanto libertador. No entanto, sabemo-lo, toda a poeira assentará. E nesse momento tomaremos consciência que estamos perante um horizonte mais vasto, com mais soluções, outras saídas, caminhos diferentes que poderemos percorrer.
Estamos mais livres. Poderemos reconstruir-nos de outro modo.
As imagens mostram um torre a ser destruída pelo impacto de um raio, com chamas e desmoronamento, por vezes em presença de máquinas de guerra. Há uma inevitável alusão simbólica à destruição da Torre de Babel descrita na Bíblia. Dela caem, quase sempre de cabeça para baixo, personagens – geralmente duas, mas em número variável. O cenário é inóspito, isolado. Gotas de sangue (ou de luz?) descem sobre o chão. E é como se o momento da destruição seja captado no ponto mais dramático, o da queda para o desconhecido. Se a designação se centra na Torre – objecto – as personagens imprimem a dimensão humana do impacto do que está sucedendo. A Torre é real, coroada, uma fortaleza construída, impregnada de significado simbólico; o raio é celeste, imparável, a intervenção do “divino”. As personagens mergulham na sua queda, de cabeça para baixo, anunciando que nada ficará igual.
Astrologicamente, esta carta está associada a Marte, planeta da combatividade, da impulsividade e da acção. O planeta vermelho… A letra hebraica que lhe corresponde é PEH ou PEI – a boca, a comunicação oral. O número 16 é o quadrado do 4 – se este último representa a estabilidade, a ordem, a lei, o seu quadrado alude à destruição dessa ordem, ao regresso ao Nada. O título esotérico da carta: O Senhor das Hostes dos Poderosos.
Esta semana poderão ocorrer mudanças na nossa vida. A Torre é um sinal de que algo inevitável estará para acontecer. Sabendo isso, é-nos dada a oportunidade de abrir o coração e a mente para a inevitabilidade que aí vem. Estamos a ter um aviso, tudo dependerá do que fizermos com ele. Poderá ser algum tipo de acidente, um desmoronamento interior de crenças e opiniões, ou mudanças no emprego, ou numa relação.
Seja o que for que vier, deixará caminho para vermos mais longe. Não nos atemorizemos: a Torre marcará o início de uma nova perspectiva para olharmos os nossos problemas. Ela libertar-nos-á.
Imagem – Tarot italiano Della Rocca ou Soprafino (1835)

Clara Days

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