Por Clara Days
Palavras-chave: Alcance; meta; síntese final; evolução.

Na semana em que teremos o Solstício de Verão (no hemisfério Norte, pois no Sul será de Inverno), vem o Arcano Maior 21, o Mundo / Universo, assinalar um fim de ciclo e anunciar o início de uma nova etapa. A coincidência não me parece fortuita, pois considero sempre importante entender os momentos de transição das nossas vidas como partes de transições mais gerais ou mesmo universais.
É a carta com a numeração mais elevada, entre os Arcanos Maiores do Tarot. Isso classifica-a tecnicamente como a última, embora haja sempre o Louco, numerado a zero, que tanto é o princípio como pode ser o fim. Mas simplifiquemos, olhando para o Mundo como a etapa mais avançada de um processo de tomada de consciência.
Este Arcano 21 fala de um fim, de uma conclusão. Refere-se a um tempo de balanço e entendimento do que está para trás, de um modo simples e integrado, quando somos capazes de fazer uma síntese do que aconteceu e temos a oportunidade de assim retirar lições válidas para acertar o nosso passo no futuro. Mas, se o atingirmos uma meta permite uma conclusão, ao mesmo tempo abre a cortina para a definição de uma nova etapa e de uma outra meta, desejavelmente mais avançada.
O importante é conseguir olhar para o que passou de um ponto mais elevado e não nos deixarmos enredar em pormenores que nos retirem a capacidade de identificar as tendências, o perfil definidor dessa etapa que foi. É essencialmente um tempo para pôr as coisas em perspectiva.
O que ficou, realmente? O que perdemos ou ganhámos? O que aprendemos? O que precisa de ser rematado, antes de prosseguirmos? O que vale a pena levar para a frente, o que é preferível deixar para trás?

Nos baralhos mais ancestrais encontramos o Mundo como um espaço enquadrado dentro de um limite arredondado – uma cidade, uma paisagem, que está como que dentro de uma bolha, de uma redoma, em relação à qual se posiciona uma ou mais personagens que parecem dominar esse espaço – pode ser uma mulher, podem ser anjos. Mas, com o avançar do tempo, a imagem foi-se consagrando com elementos muito específicos que a caracterizam, na maior parte das soluções gráficas: uma mulher nua, que alguns autores consideram um andrógino, de bastão na mão e envolta num véu ou écharpe esvoaçante, dançando dentro de uma grinalda, enquadrada geralmente pelos “animais de poder” que representam os quatro elementos primordiais: Touro (terra), Leão (fogo), Águia (água), Anjo (ar). Em baralhos mais sincréticos e mais recentes, há uma variedade maior de recursos simbólicos, como a árvore da vida, ou animais como a borboleta, fruto de metamorfose, ou a serpente enrolada, sinal de sabedoria e renovação.
Astrologicamente, o Mundo / Universo corresponde a Saturno, pai do Tempo, planeta das transformações lentas e profundas. A letra hebraica que lhe corresponde é TAU ou TAV, o selo da Criação. O número 21, que pode ser considerado um número simbólico da perfeição, por corresponder a 3X7, é frequentemente caracterizado como aquele que traz “novos mundos”, com grande potencial de realização. Título esotérico desta carta: A Grande Unidade da Noite do Tempo.

Nesta semana, será altura para concluir projectos, rematar pontas soltas, recolher lições. É importante que, dentro da nossa cabeça, a “casa” fique arrumada, antes de prosseguirmos para uma nova etapa. Só assim poderemos realmente avançar, evoluindo para novas soluções, sem voltar a repetir as falhas que no passado nos atrapalharam o percurso.
Saibamos distanciar-nos o suficiente para olhar o que fizemos de um modo o mais neutro e justo possível, sem batotas. Olhemos para nós como se de outra pessoa se tratasse e avaliemos honestamente os nossos actos recentes e o impacto que tiveram na nossa vida e nas dos outros. É importante avaliar para corrigir, para acertar o rumo.
Não é tempo para procurar justificações ou desculpas: o que interessa é fazer uma síntese dos avanços e recuos, dos ganhos e perdas, do que ficou por fazer e porventura deve ser acabado, ou conscientemente largado.
Criemos condições internas para entrarmos no Solstício com conclusões tiradas e coragem para novos planos.
Bom Solstício!

Imagem: Wildwood Tarot, com ilustração de Will Worthington (2011)

Clara Days

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