Que pensar dos Céus de Junho 2000 a Janeiro 2021- Parte III-“Não consigo respirar”

E o Covid volta ou não volta? Tem horóscopo? Permite previsões astrais? Que símbolos podemos usar para um vírus a viajar em gotículas que, se inspiradas, podem ser fatais para o funcionamento dos pulmões exigindo máscaras, ventiladores e respiradores..

Desde Dezembro que os sites de astrologia procuram uma data, uma hora, um local para tentar dar corpo a um vírus invisível que no espaço de meses mudou o mundo, como trabalhamos, como nos relacionamos, como vivemos, colocou a economia global em estado de recessão e devolveu à Natureza o seu estado de graça reduzindo poluição, e dando espaço à vida selvagem.

Ao escrever isto pensei em Greta Thunberg e na sua tomada de consciência e posição sobre os males ambientais do mundo em Agosto de 2018 quando, em vez de ir para a escola foi, com licença dos pais, manifestar-se sozinha em frente do Parlamento Sueco. Uma procura rápida no livro de Efemérides mostrou que a 11 de Agosto de 2018 houve um eclipse do Sol a 18 graus de Leão, curiosamente da mesma série Saros 2 Novo Norte a que pertence o nascimento de Trump. Como já escrevi atrás, segundo a interpretação de Brady, esta série é caracterizada pelo seu impacto em mudar o rumo de vida das pessoas através do colapso das estruturas existentes.

Podemos ler na revelação do activismo de Greta e no impacto na sua vida escolar a simbologia desta série Saros. E podemos ver na agenda de Trump desse Agosto de 2018 – em que as descobertas sobre o seu envolvimento com a Rússia antes das eleições o levaram a exigir do Procurador Geral que parasse as investigações- o princípio do processo que o levou a ser acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso, em Dezembro de 2019- em cima do início da epidemia de Covid na China e de um eclipse do Sol em Capricórnio.

O Fogo desse eclipse em Leão de Agosto de 2018 não só acendeu a chama activista de Greta e a tentativa de queimar politicamente Trump como incendiou a Califórnia. Os quase 9 mil fogos desse Verão foram os mais graves da sua história reduzindo a cinzas 800 mil hectares que arderam até Novembro. Greta foi às Nações Unidas em Outubro de 2018 dizer ao mundo que a Mãe Terra precisa de medidas de proteção imediata. Trump continuou a proteger-se das acusações que iriam levar ao seu julgamento de “impeachement”. E o Fogo continuou a queimar a Terra.

A Terra arde

Muitos foram os títulos de jornal que anunciaram “2019:O ano em que o Mundo ardeu”. Os maiores foram na Austrália, na Amazónia e novamente na Califórnia, Rússia, Indonésia, Líbano…fogos espontâneos que seriam naturais aos olhos da ciência não fossem as alterações climatéricas estar a torná-los mais intensos, frequentes e prolongados.

Manifestações a exigirem acção politica em prol do ambiente ocuparam ruas em todos os pontos do globo e, curiosamente, numa manifestação em Sidney na Austrália em 11 – Dezembro de 2019, dias antes de ser conhecida a erupção do Covid na China, –  o slogan “ I Cant Breath” – Não consigo respirar-  apareceu escrito nas máscaras dos manifestantes num país de céus tapados pelos fumos do fogo e rescaldo dos incêndios.

Vou aqui recuar um pouco para dar enquadramento a essa percepção colectiva da falta de ar. “I can´t breath” era um slogan de 2004, com referência à morte por estrangulamento, a 17 de Julho desse ano, de um negro, Eric Garner, pela polícia de Nova Iorque , que um vídeo documenta ter dito 11 vezes “I cant breath” ,antes de morrer.  A fotografia que se segue é da Time Magazine, 2004.

Protesters rallying against a grand jury’s decision not to indict the police officer involved in the death of Eric Garner gather in Columbus Circle, Friday, Dec. 5, 2014, in New York. (AP Photo/Jason DeCrow)

O slogan foi twittado 1,3 milhões de vezes em 2014. Eric Garner deixou de respirar com Saturno a 18 graus a sufocar a Lua Nova desse 17 de Julho, a 25 graus de Caranguejo.

Saturno simboliza, em astrologia mundana, a ordem, a estrutura, a forma e funções que organizam uma sociedade. Está associada a instituições do governo e da administração da justiça, e à alçada da polícia dos militares.

O agente da polícia que matou Garner foi ilibado e só foi despedido da corporação quinze anos depois, em Agosto de 2019, com Saturno em Capricórnio, a percorrer o caminho oposto ao que tinha feito em 2004 quando transitava o Caranguejo. Saturno participou em 2019, por conjunção e oposição nos eclipses no eixo Caranguejo-Capricórnio que dominaram os Céus. A Lua que rege o Caranguejo e Saturno que rege o Capricórnio confrontaram-se nestes eclipses a assinalar o medir forças entre as emoções e a ordem, a sensibilidade e a repressão, o medo e a responsabilidade, o povo e os governos.

Por graus, Saturno e os eclipses de 2019 foram assim: Saturno estava a 11 graus a 6 de Janeiro no eclipse parcial do Sol a 15 graus de Capricórnio.  Saturno estava a 17 graus retrógrado nos eclipses total do Sol a 10 graus de Caranguejo a 2 de Julho e parcial da Lua a 24 graus de Capricórnio na Lua Cheia de 16 de Julho. Saturno estava a 20 graus no eclipse anular do Sol a 26 graus de Dezembro a 4 de Capricórnio,

O slogan “I can´t breath” voltou a público nas manifestações ambientais mundo fora em 2019. A fotografia seguinte do jornal Daily Mail mostra um manifestante pela defesa do ambiente, depois dos incêndios na Austrália, a 11 de Dezembro de 2019. Mas logo a seguir à brutal leva de fogos e devastação ambiental global,  o Covid entrou na cena mundial em Dezembro de 2019, obrigando ao uso de máscaras e surpreendente tudo e todos com a possibilidade de um virus invisível por em perigo a capacidade de respiração do mundo inteiro.

A 27 de Dezembro de 2019, o Dr. Zhang Jixian, chefe do departamento de doenças respiratórias do Hospital de Hubei comunicou às autoridades de saúde chinesa que um novo tipo de vírus corona tinha infectado mais de 180 pessoas. Menos de 24 horas antes, a 26 de Dezembro, dera-se um eclipse anular do Sol a 4 graus de Capricórnio, conjunto a Júpiter, com saturno e Plutão também praticamente conjuntos na mesma casa e no mesmo signo. Se é este eclipse o mapa natal do Corona, Sol, Lua, Mercúrio e Júpiter na 9 indicam que nasceu para muita e longa viagem capaz de transformar a ordem do mundo e de cortar relações entre parceiros, com Marte na VII em trígono a uma infecção de origem misteriosa simbolizada por Neptuno na XI, num sobressalto imenso aos valores e relações sociais com Urano em Touro ainda na XII em quadratura a Vénus em Aquário na X. O Sol e Lua conjuntos ao Nódulo Sul na IX reforçam que é tempo de parar com as grandes viagens e de tentar ter segurança em casa, em família, no país simbolizados pelo Nódulo Norte em Caranguejo. Mercúrio  que rege a respiração e o movimento na VIII em Sagitário,  em quadratura a Neptuno na XI em Peixes reforça a ideia de que a infecção podia virar pandemia, levada em viagens – o que veio a acontecer.

Poucos dias antes deste eclipse, a 18 de Dezembro de 2019, começou o processo de impeachment de Trump, uma tentativa de afastar e calar de vez o presidente acusado de traição etc. Com o princípio do julgamento marcado para o Senado a 16 de Janeiro de 2020, Trump envolve-se numa provocação externa, ordenando o assassinato do general iraniano Qassem  Suleimani a 3 de Janeiro de 2020 no aeroporto de Bagdad.

Há guerra, mas que guerra?

Foi este assassinato político que deixou então os astrólogos mundanos a especular sobre a possibilidade de uma guerra séria, transformadora dos equilíbrios e estruturas políticas , causadora de severa recessão,que forçasse a criação de uma nova ordem global, certamente repressiva. É que a 10 Janeiro ia haver nos céus uma grande revolução. Saturno e Plutão iam ficar conjuntos em Capricórnio e essa conjunção que marca sempre tempos difíceis e profundamente transformadores ia ter ligar em conjunção ao Sol, em oposição a um eclipse penumbral da Lua.

A guerra que se esperava não aconteceu, Trump,  como se calculava devido à maioria Republicana no Senado, não foi calado mas o mundo entrou em guerra com um vírus que trouxe todas as consequências que se esperavam desses eclipses e conjunções, e ainda pior.

Em meados de Março e até finais de  Abril o Sol em trânsito passou por Neptuno e entrou na casaXII do horóscopo desse eclipse de revelação do Covid em Dezembro, ilustrando toda a simbologia de reclusão, doença misteriosa etc, até começar a haver algum alºivio quando passa o Ascendente no mesmo dia em que Plutão entrou retrógrado a a 26 de Abril.

Saturno entrou em Aquário a 23 de Março em quadratura a Urano regente da XII, em símbolos de tensão com o isolamento social. Pela primeira vez o ano novo chinês, o ano novo indiano, a Pesach judaica, a Pascoa Católica e o Ramadão muçulmano não tiveram celebrações públicas. Sob a nova ordem depois da conjunção de Saturno a Plutão de Janeiro e com o ingresso do planeta dos limites no signo do colectivo- Aquário, sob a tensão de um inimigo surpresa invisível, -Urano ainda na XII-  o quotidiano colectivo mudou da China à Califórnia, da Islândia à África do Sul.

O que mudou também neste período foi o estado do ambiente do planeta. O extremar do grande desequilíbrio entre o impacto da acção humana e a capacidade de encaixe da Terra verificado em 2019 inverteu-se, caíram os níveis de poluição, o buraco de ozono quase tapou, em Delhi viram pela primeira vez em décadas os Himalaias ao longe e na China não se usaram máscaras para não se respirar os fumos tóxicos mas sim para proteção contra o Covid. Ao longo dos eclipses de 2019 a tensão chegara aos extremos com os incêndios globais e no último eclipse surgiu o vírus que fez mais pelo planeta obrigando a restrições de circulação de impacto ambiental cujo impacto económico era tal que os governos nunca conseguiriam acordar.

Depois de em  finais de Abril Plutão ter entrado retrógrado, em Maio, Saturno, Vénus e Júpiter entraram retrógrados também. O mundo começou gradualmente a abrir-se ao desconfinamento apesar do vírus continuar activo e se recear novo empolamento. Neptuno que parece ter um papel simbólico para vírus e infecções misteriosas vai entrar retrógrado no dia 23 de Junho para só ficar directo no final de Novembro, depois de, a partir do final de Setembro, Saturno, Júpiter e Plutão terminarem as retrogradações começadas na Primavera.

Em finais de Dezembro próximo, em cima do eclipse no eixo Sol-Lua de Trump e no dia da eleição presidencial no colégio dos representantes dos EUA, Saturno volta aos 0 graus de Aquário ponto em que estava em Março quando, por causa do Covid, o mundo se fechou. Desta desta vez estará conjunto a Júpiter que, mesmo sendo um benéfico que se quer optimista e símbolo de expansão e desenvolvimento, tem de se submeter aos limites ou mordaças que Saturno impuser.

“Não consigo respirar” e não é pelo Covid..

Sim, o Covid pode voltar em força no final do ano mas já não terá o mesmo efeito surpresa, o Covid pode mesmo durar a desaparecer para depois voltar a aparecer com outro número, outra mutação, noutro ciclo de Saturno ou disfarçado noutras gotículas de Neptuno, com vacinas potenciais e tratamentos até que em 2025 Saturno em trânsito em Peixes passe o ponto em que Neptuno está no eclipse de revelação do Covid de Dezembro de 2019 e se veja quem ganha…

Mas o ponto que quero fazer não é esse e o que vou dizer não é uma conclusão mas sim uma divagação sobre o contexto do Covid, no quadro dos eclipses em Caranguejo- Capricórnio a que se seguem- porque os Nódulos Lunares também mudaram em Maio quando os lentos retrogradaram-, a série de eclipses no eixo Gémeos- Sagitário.

É aqui que tudo se mistura, a Greta, o ambiente, o Covid, o Trump, a recessão, as eleições americanas e o slogan “Não consigo respirar” que, no fundo, ecoa em todos estes personagens da narrativa..

” I can´t breath ” está de volta como slogan agora, em Junho, em 2020, nas manifestações em todo os EUA e em várias capitais do globo contra a morte de um outro negro, George Floyd, asfixiado por um joelho de outro policia, também documentado em vídeo tal como fora a morte de Eric Garner em 2004. A fotografia seguinte é de uma manifestação solidária em Amsterdão no dia 1 de Junho publicada na USA Today.

Foi no passado dia 25 de Maio, com os Nódulos Lunares a passarem do eixo Capricórnio Caranguejo para o eixo Gémeos Sagitário, com a Lua em Caranguejo, oposta a Plutão em Capricórnio e o Sol em Gémeos quadrado a Marte, em Mineapolis  que um polícia matou George Floyd que acabara de fazer uma compra com uma nota de 20 dólares que o dono da loja pensou ser falsa.

“I can´t breath, please, please” foi o que repetiu Floyd até morrer asfixiado. A Lua estava no grau exacto em que estava Saturno em 2004 quando Eric Garner foi também sufocado em Nova Iorque por um polícia. Por todo o continente americano e também noutros pontos do globo são imensas nestes últimos dias e certamente mais no eclipse de 5 de Junho, as manifestações que repetem o slogan “I can´t breath”. Trump exige maior controlo pelos governadores dos estados, ameaça usar os militares contra as manifestações populares. Há manifestantes pacíficos mas a extrema direita parece também estar envolvida para agravar os distúrbios.

Novos valores e velhas ordens. Conflitos.

Desde o início de 2019, o ano de todos os fogos, que Urano entrado em Touro que representa a Terra, regido por Vénus das relações e dinheiros, nos acorda,  agitados mediaticamente pelos danos dos incêndios e pelos activistas, para  novos valores ambientais. Mas este Urano em Touro simboliza também novos valores materiais, novas formas de ganhar dinheiro, põe o foco nos novos meios tecnológicos, na inteligência artificial, nas moedas cibernéticas, nos negócios do espaço.

No mundo a arder em que estávamos em 2019, não conseguíamos respirar e pela voz da jovem Greta, até as Nações Unidas ouviram que novos valores tinham de sobrepor ao laxismo existente para salvar o planeta.  Greta e Urano apontam o futuro mas Saturno e os seus anéis resistem à mudança. Os confrontos são inevitáveis com Saturno em quadratura a Urano até final de 2022, com um pico de tensão em finais de Janeiro e Fevereiro próximo, logo a seguir à tomada de posse do presidente americano que será confirmado pelo colégio de representantes a 14 de Dezembro, em dia de eclipse total do Sol em 23 graus de Sagitário, conjunto à Lua e oposto ao Sol e a Urano de Trump.

Com Covid ou sem Covid, o que está no ar é essa opressão que nos leva a dizer “ I can´t breath”, agora não pelas questões ambientais exacerbadas em 2019 e aliviadas indirectamente pela acção do vírus mas pela repressão política e recessão económica anunciadas pela conjunção tripla de Saturno e Plutão ao eclipse de Janeiro deste ano. Neptuno que rege o vírus e os estados de alma vai estar em quadratura aos Nódulos Lunares de Peixes para o eixo Sagitário Gémeos em Janeiro e em Fevereiro próximo. Quando é que vamos respirar de alívio???

LEIA A PARTE I AQUI

LEIA A PARTE II AQUI

Rosita Iguana..sob um eclipse sobre o  Saturno natal de casa III em Sagitário- whatever this means…

IMAGEM: O desenho em destaque saíu há dois dias no New Statesman

Leia a P

11 thoughts on “Que pensar dos Céus de Junho 2000 a Janeiro 2021- Parte III-“Não consigo respirar”

Add yours

  1. Muito obrigada por toda a informação. Trabalho excepcional. Muito interessante toda esta retrospectiva e relação com os eclipses e planetas a retrogradar.
    Parabéns!! Ana

  2. Grande texto. Parabéns sinceros. Consegue uma bela reconstituição da história recente, enquadrada pela análise astrológica. Gostei muito de ler. Gostaria de ser capaz de um trabalho de folgo assim, quando tenho de fazer trabalhos mais extensos. Mas fico longe disso…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: