Energia para a Semana 28/6-5/7- V O HIEROFANTE

Por Clara Days:
Palavras-chave: pertença; ideologia; sabedoria; humildade

Porque sou humano, pertenço. Aprendi a sê-lo por imitação, por identificação, por transmissão de conhecimento. Aprendi a sê-lo em comunidade, onde uma “aldeia” educa cada criança. Deram-me os limites e as referências, o acesso ao saber; deram-me também a liberdade de espírito para que busque o meu próprio norte. Posso, ou não, querer procurá-lo.
Acolhendo-me no grupo de pertença, recebo a protecção e aceito, em troca, que a minha liberdade fique limitada. Nada há de mal nisso. Nada de mal há em viver de acordo com regras partilhadas, que condicionam a minha conduta, a que me acomodo. Mas é importante que eu avalie, a cada momento, até que ponto estou porque acredito, ou apenas porque me deixo estar. Devo a mim próprio essa exigência.
Posso ficar onde nasci e conformar-me ao que me foi sugerido, ou mesmo imposto. Posso escolher partir, mesmo que seja apenas em espírito, para buscar o meu lugar. Vá para onde for, só fará sentido se seguir, nos trilhos já traçados, um caminho que reflicta o que sou. Esse caminho é a minha busca permanente, se eu quiser aproximar-me duma verdade.
Até posso deixar-me estar, porque não tenho alternativa. Mas isso não me obriga a ficar, em espírito: tenho sempre, intimamente, o livre arbítrio. As minhas circunstâncias podem ser imperativas, mas nada pode forçar as minhas crenças. Sou livre de pensamento.
Existo, penso, escolho e comungo com aqueles com quem me identifico. Tenho dentro de mim a chave sagrada que me abre as portas para a sabedoria, quando as quiser abrir, se quiser abri-las…
Sou dotado de inteligência para que possa pensar pela minha cabeça, buscando iluminação. Sou sacerdote da minha crença, quando a entendo como um percurso de aprendizagem permanente. Mas, por outro lado, se fui iluminado, sou estrela de uma constelação, que pertence a uma galáxia. Isto é, nunca parto do zero, por muito individualista que me sinta: o sentido que procuro tem sempre referências e outros protagonistas.
Tenho que ser humilde. Devo reconhecer que a força que me eleva vem do conhecimento que adquiro, não apenas da minha vontade. Nunca aprendo só. Nada descobrirei que me leve longe, se não partir do que outros já decifraram. Mas posso vir a decifrar eu outras verdades, e traçar novos trilhos.
Do conhecimento à sabedoria vai uma grande distância… Nas palavras de Einstein, “O homem erudito é um descobridor de factos que já existem – mas o homem sábio é um criador de valores que não existem e que ele faz existir.” Atingirei algum dia esse patamar? Poucos o atingem, realmente. De entre esses, alguns são seguidos.
O importante não é que me sigam, é que eu me encontre.

Imagem : Tarot Ananda, de Ananda Kurt Pilz, 2003

Clara Days

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